De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade. 2 Pedro 1:16

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Mito de que é Mito

Hoje pretendo fazer algo diferente: vou trazer-lhes um estudo bíblico com aplicação espiritual para o cotidiano, porém com embasamento arqueológico para cada ponto, tecendo uma reflexão que fundi o espiritual e o material, observável, numa só verdade, como forma de evidenciar a natureza das Escrituras: incontáveis tesouros espirituais incutidos em histórias reais. Pronto pra viagem?
A Graça de Deus no Antigo Testamento:

Resumo geral: 1 - Introdução (história humana); 2 - O problema do homem; 3 - A Graça no Antigo Testamento (evidências arqueológicas); Conclusão

1 - Introdução:
Ao lermos a Bíblia, embora venhamos a perceber uma íntima ligação entre o Antigo e o Novo Testamento, geralmente nos surpreendemos com a ideia de Graça Divina, largamente pregada por Paulo, como algo que não era aspirado ou se fazia nitidamente presente no Antigo Testamento, porém, quando cuidamos em analisar os interesses universais do homem, baseados numa origem física e espiritual comum, o que se reflete nas semelhanças entre as mitologias, verificamos que a proposta cristã é, simplesmente, o clímax de tudo o que os hebreus já almejavam e procuravam.

Gênesis 2:7 diz que o homem veio do pó da terra e recebeu vida espiritual diretamente do Criador. Esses dois pontos são as origens das religiões, surgidas depois da Queda e com base na procura humana pelo Divino, do qual se perdeu: ligado à terra, o homem passa a procurar Deus através de construções, tentando atingir os céus, ou por meio de diversas esculturas e sacrifícios materiais; ligado ao espiritual pelo Sopro do Espírito de Deus, o Transcendente, o homem tende a buscar Deus em si mesmo, através da aptidão física, excelência intelectual, boas obras... Toda a História Humana se desenvolve nessa busca pelo Paraíso Perdido, pelo seu Criador, que não sabe quem é, mas que deseja encontrar ardentemente, usufruindo de todos os seus recursos e meios. 

Os egípcios tentaram atingir o Altíssimo através das construções:
E ídolos:
De modo semelhante foi com os babilônios:
Assim como foi com os gregos:
Os ameríndios pré-colombianos:
Os romanos:
Os gregos buscaram a excelência física para atingir Deus:
Os romanos prosseguiram com tal mentalidade:
Assim como os povos do Norte da Europa:
Os gregos usufruíram do intelecto na busca pelo Divino:
E os romanos deram continuidade a tal procedimento:
Os cananeus buscaram o Celeste através do sangue:
Assim como os romanos:
E os ameríndios pré-colombianos:
Os sacerdotes do mundo inteiro buscaram o Elevado por meio de numerosas normas de conduta e ritual (fome, meditação, mantras, isolamento, silêncio, masoquismo...):
2 - O problema:
O mesmo cenário se repetiu ao longo de milênios, com vários povos tentando atingir o Criador das mais variadas formas, mas tudo sem sucesso, sempre fracassando, isso por motivos óbvios, já que o Criador do Universo, Transcendente, Infinito e Perfeito não pode ser atingido pelo homem, criado, imanente, finito e imperfeito, por isso, obviamente, o Divino só poder ser conhecido através da revelação que Ele decide fazer de Si mesmo. As religiões mais primitivas da Mesopotâmia, Egito e Canaã se dissiparam com o tempo, a racionalidade grega e romana quase os levou ao ateísmo, de uma forma ou de outra todos os povos tentaram chegar ao Céu e não conseguiram: geralmente começavam com grandes construções, que pretendiam alcançar o Paraíso perdido no Éden (1), juntamente com os sacrifícios de sangue a serem oferecidos nessas estruturas (2), depois pendiam para a excelência física, na tentativa de atrair a atenção dos deuses, isso através do quase divino desempenho esportivo ou da fúria no campo de batalha em favor da divindade (3), e, por fim, buscavam o Altíssimo, tendo fracassado nas outras tentativas, através da maquinação intelectual (4), que geralmente vinha com rígidos padrões de conduta, jejuns, isolamento, silêncio e até masoquismo e, chegando nesse nível, ao perceberem a impossibilidade de se alcançar o Celeste, pendiam para outras religiões ou para o ateísmo. Foi nesse contexto que o cristianismo ganhou força no início da Era Cristã, se expandindo pacifica e explosivamente pelo Mediterrâneo. O ser humano busca a Deus naturalmente! "Cérebro humano está programado para assimilar o sobrenatural"
noticias.gospelprime.com.br, 18/05/2012.

Diferentemente das mitologias tradicionais, o judaísmo inicia com o relato do Todo-Poderoso encontrando um ser humano, Abraão, e ganha mais corpo quando Deus encontra-Se e revela-Se a Moisés, na sarça ardente. Nas mitologias não existem relatos desse tipo, do Criador revelando-se à criatura e se fazendo conhecido, encontramos apenas uma série de estórias envoltas num mundo mítico, deslocado de nosso tempo e espaço.
No Antigo Testamento encontramos o hebreu buscando Deus, muitas vezes, da mesma forma que os demais povos: estruturas, esculturas, esforço físico, retidão. A verdade é que o próprio Deus estabeleceu ordens que orientassem o homem para tal busca, afim de que o mesmo experimentasse a insuficiência desses meios em encontrá-lo.
3 - A Graça do Antigo Testamento:

a - O fracasso nas Construções:
Como as construções foram, geralmente, as primeiras coisas que o homem tentou fazer uso para chegar até Deus, a Bíblia, logo no início, comenta sobre a impossibilidade de se vislumbrar o Divino através de grandes construções. Gênesis 11:1-9 nos conta a história da Torre de Babel: com uma única língua, muitos homens se uniram no mesmo lugar e almejaram construir uma imensa torre, para chegar até Deus, porém o próprio Criador, analisando a prepotência desses indivíduos, tratou de confundi-los, dividindo a "língua mãe" em centenas de idiomas e outras línguas, levando-os à divisão e colonização do restante da Terra. A ideia aqui é que o homem não pode atingir o Céu através de obras, no caso, arquitetônicas - e um grande número de homens juntos no mesmo lugar não faz diferença. Mas, será que a Torre de Babel realmente existiu? Vejamos:

noticias.gospelprime.com.br, 6/08/2013
"'Língua original' existia há 15.000 anos e influenciou cerca de 700 idiomas contemporâneos.

Linguistas britânicos podem estar perto de provar que nossos antepassados, que viveram milhares de anos atrás, utilizavam certas palavras que podem ser reconhecíveis em línguas modernas, e mantiveram o mesmo significado.
Mark Pagel é um professor de Biologia Evolutiva, especialista em linguagem. Ele não é cristão, mas sua teoria sobre o desenvolvimento da linguagem utiliza a imagem bíblica da Torre de Babel como base. Embora ele a chame de 'tradição'.
Usando um software avançado, a equipe de Mark Pagel afirma que conseguiram determinar que algumas palavras mudaram muito pouco ao longo do tempo. Isso comprovaria a existência de uma grande família linguística, que unifica os sete grupos da Eurásia, até agora considerados os mais antigos.
Se for comprovada, a conclusão inequívoca é que existiu uma língua que deu origem às outras em determinado momento da história. É isso que o remete à história bíblica da 'torre de Babel'. Até o momento, os linguistas baseavam suas investigações apenas na existência de sons similares entre palavras, para determinar quais teriam uma origem ancestral comum. Em estudos anteriores, Mark Pagel demonstrou a evolução das 7.000 línguas atualmente faladas no planeta, analisando a utilização da linguagem e por que algumas palavras desapareceram.
'A maneira como utilizamos certas palavras na linguagem cotidiana é, de alguma forma, comum a todas as línguas da humanidade. Descobrimos que os substantivos, pronomes e advérbios são substituídos com menos frequência, ou seja, uma vez a cada 10.000 anos ou mais', argumenta Pagel. (...)
Agora, surgiria essa ligação de 700 idiomas contemporâneos, que compartilhariam a mesma origem. Elas 'descendem de uma linguagem única, utilizada pelo homem há cerca de 15.000 anos', explica Pagel, que publicou seu estudo científico recentemente e foi reconhecido pela Academia Britânica de Ciências."

noticias.gospelprime.com.br, 6/08/2013
"Um artigo publicado pela dupla de pesquisadores Roy Liran e Ran Barkai, da Universidade de Tel Aviv, no mês passado, abre uma discussão sobre a veracidade da passagem bíblica de Gênesis 11 que fala sobre a Torre de Babel. Ela teria existido ou não?
A descoberta em 1952, em Jericó, na Palestina, de uma torre de 8,5 metros seria a prova de que de fato a passagem bíblica estava certa, esse edifício seria um dos primeiros arranha-céus da história da humanidade e poderia ter sido construído para servir ao povo de proteção contra invasões ou como espaço para observação de astros e estrelas. (...)
Um tablete de argila com escrita cuneiforme – um dos primeiros textos da humanidade, datado de 2500 a. C., encontrado no Iraque e traduzido em 1872 – traz um relato controvertido que parece ser um paralelo à história bíblica da Torre de Babel: '…seu coração se tornou mal… Babilônia submeteu os pequenos e os grandes. Ele (uma divindade) confundiu seus idiomas… o seu lugar forte, que por muitos dias eles edificaram, numa só noite ele trouxe abaixo.'
Outro texto cuneiforme, produzido em cerca de 2200 a. C. e publicado em 1968, faz menção de uma época em que havia 'harmonia de idiomas em toda Suméria' e os cidadãos 'adoravam ao deus Enlil numa só língua… o deus Enki, senhor da abundância… e o líder dos deuses… mudou a linguagem na sua boca e trouxe confusão a eles. Até então, a linguagem dos homens era apenas uma.”

noticias.gospelprime.com.br, 4/01/2012
A conclusão de uma inscrição de 2.600 anos foi feita por especialistas e publicadas no livro ”Cuneiform Royal Inscriptions and Related Texts in the Schoyen Collection” (“Inscrições Reais em Cuneiforme e Textos Relacionados da Coleção Schoyen”) onde eles afirmam que a pedra estudada trata-se da placa comemorativa da inauguração da Torre de Babel. (...)
Entre as pelas analisadas está a estela (um poste de pedra) erigida entre os anos de 605 a.C. e 562 a.C., quando Nabucodonosor II governava a Babilônia. A pedra está coberta com textos e desenhos relatando a construção de uma obra.
Os estudiosos disseram que o nome dessa obra era Etemenanki. Em sumério, idioma que já era arcaico nos tempos de Nabucodonosor II, a palavra significa “templo das fundações da terra e do céu”. E o rei da Babilônia carrega nas tintas propagandísticas ao descrever como construiu a estrutura, cuja altura, segundo relatos posteriores, chegava a mais de 90 m."

b - Sacrifícios não aproximam de Deus:
Dentro da questão das construções, lembro-me do Templo de Salomão, onde também se faziam sacrifícios de animais. É interessante notar, primeiramente, que Salomão reconheceu a insuficiência do Templo em 1 Reis 8:27. A verdade é que Deus encontrou Abraão em uma simples tenda (Gênesis 13:14-18) e não libera Seu favor mediante os apelos da suntuosidade (Amós 3:15; Salmos 147:6). O fato, com relação aos sacrifícios de animais, é que no próprio Antigo Testamento ele é considerado inválido para se agradar verdadeiramente a Deus (Salmos 40:6; Salmos 51:16-17). Mas existiu esse tal de "Templo de Salomão"?

veja.abril.com.br, 22/01/2003
"O Instituto Geológico de Israel, que divulgou a descoberta, não revelou as circunstâncias do achado. O dono, um colecionador anônimo, levou a peça para ser examinada um ano atrás. Os testes mostraram que a inscrição datava do século IX a.C., o que coincidiria com o reinado de Joás. Os exames também indicaram a presença de salpicos de ouro fundido na superfície da pedra, que poderiam ter sido causados por um incêndio, como o que destruiu o Templo de Salomão, em 586 a.C. Segundo a Bíblia, Salomão, filho do rei Davi, viveu há 3.000 anos, no auge do Reino de Israel. A Bíblia conta que nobres e plebeus vinham consultá-lo por sua sabedoria. Faz parte da cultura universal a decisão de Salomão no caso das duas mulheres que disputavam a maternidade de um bebê. O rei mandou cortar a criança em duas metades com o fio da espada e descobriu a mãe verdadeira pelos protestos desesperados de uma delas para que deixasse a criança viver. Mas as provas históricas da existência de Salomão são escassas. Evidências de seu famoso templo nunca tinham sido encontradas, e muitas das construções atribuídas a ele foram erguidas por reis posteriores."

amaivos.uol.com.br
"Uma placa de pedra negra contendo uma inscrição fenícia atribuída ao rei judeu Jehoash que reinou em Jerusalém no fim do século IX antes da era cristã foi autenticada por peritos, indicou o jornal israelita Haaretz. Segundo o jornal, esta inscrição de dez linhas escrita na primeira pessoa dá conta de "reparações ordenadas no Templo" pelo rei Jehoash, e assemelha-se muito a uma passagem do Livro dos Reis da Bíblia (capítulo 12).
O fragmento foi aparentemente descoberto durante importantes trabalhos de escavação realizados pelos muçulmanos nos últimos anos no Monte do Templo de Jerusalém, o local mais sagrado do judaísmo."

c - Excelência física não aproxima de Deus:
O herói bíblico de maior aptidão física, sem dúvida, foi Sansão (Juízes 15:14; 16:6,9). Apesar de ser tão poderosamente usado por Deus em termos de força, Sansão não aproximou-se, mas se afastou do Altíssimo (Juízes 16:19-31), reencontrando-O somente no momento em que estava mais fraco. Mas será que Sansão existiu?

Criacionismo.com.br, 08/08/2013; cafetorah.com, 29/07/2012
"Uma pequena pedra encontrada em Israel pode ser a primeira evidência arqueológica da história de Sansão, o fortão mais famoso da Bíblia. Com menos de uma polegada de diâmetro, a gravura esculpida mostra um homem com cabelos longos lutando contra um grande animal com rabo de felino. A pedra foi encontrada em Tell Beit Shemesh, nos montes hebreus próximos a Jerusalém, e data aproximadamente do século XI antes de Cristo. Biblicamente falando, nessa época, os judeus eram conduzidos por líderes conhecidos como juízes, e Sansão era um deles. A pedra foi encontrada em um local próximo ao rio Sorek (que marcava a antiga fronteira entre o território dos israelitas e o dos filisteus), o que sugere que a gravura poderia representar a figura bíblica."

d - O intelecto não aproxima de Deus:
Assim como Sansão, mesmo sendo o mais forte da Bíblia, se afastou de Deus, Salomão, o mais inteligente, também o fez. 1 Reis 4:29-30 diz que Salomão era, no mínimo, o homem mais inteligente de toda a região de Israel e, mesmo assim, afastou-se largamente do Criador, 1 Reis 11:4-6. Salomão, de fato, existiu?

Criacionismo.com.br, 23/02/2010

"A arqueóloga israelense Eilat Mazar afirmou ontem que algumas estruturas encontradas por ela e pela sua equipe, em Jerusalém, datam da época do rei Salomão (1000 a.C.) O achado é significativo, já que há uma nova geração de arqueólogos (entre eles o ateu Israel Finkelstein) que considera os relatos dos reinos de Davi e Salomão, puramente mitológicos. "

permanecerecompartilhar.blogspot.com.br, 29/10/2012; Criacionismo.com.br, 28/10/2008
"Escavações na Jordânia sugerem que a extração de cobre em escala industrial no antigo reino de Edom - região que, segundo a Bíblia, teria sido vassala dos reis de Israel - coincide, em seu auge, com a época do filho de Davi. Em outras palavras: as célebres 'minas do rei Salomão' podem ter existido do outro lado do rio Jordão.
A pesquisa, coordenada pelo arqueólogo Thomas E. Levy, da Universidade da Califórnia em San Diego, está na edição desta semana da prestigiosa revista científica americana PNAS, e bate de frente com os que duvidam da existência de uma monarquia poderosa em Jerusalém durante o século 10 a.C. Segundo esses pesquisadores, como Israel Finkelstein [ele é um arqueólogo ateu, figura sempre presente nas páginas da Superinteressante e da Galileu], da Universidade de Tel Aviv, tanto a região de Jerusalém quanto a área de Edom, onde as minas foram encontradas, eram habitadas por uns poucos aldeões e pastores nômades nessa época. O surgimento de reinos politicamente bem organizados e capazes de empreendimentos de larga escala só teria sido possível por ali cerca de 200 anos depois. (...)
E não é só isso: escavações numa fortaleza próxima também sugerem uma construção na era salomônica, durante o século 10 a.C. Segundo o relato bíblico, Salomão usou vastas quantidades de bronze (cuja matéria-prima, ao lado do estanho, era o cobre) na construção do templo de Jerusalém. Também teria continuado o domínio estabelecido por seu pai Davi sobre Edom e financiado uma frota de navios mercantes que saíam do litoral edomita em busca de produtos de luxo."

Conclusão:
Demonstrando que o homem é incapaz de conquistar a Salvação, de alcançar Deus, pelas obras arquitetônicas, pela força, pelos sacrifícios e pelo intelecto, o Senhor criou uma fortíssima necessidade messiânica: só o próprio Deus poderia salvar o homem, impotente. Sem Cristo, o judaísmo seria a religião mais deprimente do mundo: o Antigo Testamento reconhece a insuficiência do Templo, dos sacrifícios, da força, da inteligência... enfim, de qualquer obra humana e, inclusive, de tudo aquilo que o próprio Deus os tinha ordenado através de Moisés. Fica evidente que o propósito máximo da Lei e de todo o restante do Antigo Testamento estava na construção de uma configuração mental e emocional propícia para a vinda do Messias, que realmente veio ao mundo, que realmente viveu, que realmente morreu e que realmente ressuscitou. O que podemos entender com isso tudo? Que nada, nada além de Cristo é suficiente para a Salvação, para a reconquista do Paraíso Perdido, para o reencontro com Deus!
A Bíblia transmite verdades teológicas de muita profundidade, porém trabalha com verdades históricas da mais alta qualidade. O mais importante disso tudo é que podemos levar para a nossa vida não somente lições de histórias marcantes, mas aprendizados obtidos em acontecimentos reais, com pessoas reais, com seres humanos como eu e você, que realmente tentaram e que verdadeiramente fracassaram. Existem outras muitas evidências arqueológicas para a Bíblia, selecionei essas porque foram providenciais para o estudo.

Natanael Pedro Castoldi

Leia também:

Outras evidências - Inegável; Sapiens

Selo de Qualidade

Segue um interessantíssimo artigo de meu pai, Armando Paulo Castoldi. Boa leitura!
Natanael Pedro Castoldi

SELO DE QUALIDADE 

É normal que todo produto antes de ser liberado para consumo deva adquirir o seu selo de qualidade. Nenhum empresário contrata um empregado sem ao menos conhecer seu currículo. Quando adquirimos qualquer bem, procuramos saber de sua procedência e qualidade. Você casaria com alguém sem considerar seu caráter e conduta?
Estou falando isso, porque todos nós sabemos que é possível divergir a respeito de qualquer assunto, porém, com o passar do tempo as coisas acabam se revelando aquilo que exatamente são. Como diz a sabedoria: “Podemos enganar algumas pessoas por algum tempo, mas não podemos enganar todas as pessoas o tempo todo”. É por essa via, tão lógica que os indivíduos e as sociedades devem fazer suas escolhas, eleger seus valores e estabelecer seus rumos. 
Quando Jesus começou a pregar e realizar sinais, enfrentou uma posição ferrenha por parte dos líderes judeus. E eles pensavam estar certos, afinal ao que tudo indicava Jesus vinha com pretensão de colocar abaixo tudo o que estava estabelecido. Mas por que eles não conseguiram riscar o nome de Jesus da História? Por que Sua pessoa e obra possuíam um selo de qualidade que não puderam destruir. Eles podiam falar o que quisessem a respeito dEle o que quisessem com Ele, contudo, Jesus tinha a autoridade de lançar em seus rostos uma pergunta que nenhum outro ser humano poderia fazer: “Quem dentre vos me convence de pecado?” (João 8.46) Isto é selo de qualidade!
Depois vieram os apóstolos. Foram da mesma forma contestados, perseguidos, mortos. Mas chama a atenção, por exemplo, aquilo que o apóstolo Paulo usa em sua defesa na Carta aos Tessalonicenses: “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros. Embora pudéssemos, como enviados de Cristo, exigir de vós a nossa manutenção, todavia, nos tornamos carinhosos entre vós, qual ama acaricia os próprios filhos; assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o Evangelho, mas, igualmente, a própria vida, por isso que vos tornastes muito amados de nós”. (1 Tessalonicenses 2.5-8) O que isso significa? Selo de qualidade! 
Não é de estranhar, portanto, que com sua mensagem simples e libertadora; com sua coerência de vida; com sua preocupação com os valores mais nobres do ser humano, em poucos anos o cristianismo conquistou o Império Romano e se espalhou por todas as nações do mundo conhecido da época. 
Depois, sim, tornou-se religião oficial, mas não sem antes haver pago um alto preço para provar ao que veio. O cristianismo, portanto, não se estabeleceu por que lhe fizeram vistas grossas, por que obteve favores de poderosos ou por que tenha manipulado multidões. Não! O cristianismo se estabeleceu por que possuía um selo de qualidade. 
É claro que houveram e ainda haverão distorções. Entretanto, o cristianismo, em sua essência, é a melhor coisa que o mundo já conheceu. Nenhuma filosofia, nenhum sistema político, nenhuma outra religião, nem qualquer outra organização humana fez tanto bem ao mundo quanto a verdadeira mensagem do Evangelho. 
Mas eu pergunto: Qual é o selo de qualidade do esquerdismo marxista? Qual é o selo de qualidade do ativismo feminista? Qual é o selo de qualidade do ativismo gay? Qual é o selo de qualidade do humanismo ateísta? Qual e o selo de qualidade do relativismo moral que quer tomar de assalto todos os setores da nossa sociedade civil? 
Prezado leitor: Reflita sobre essas questões, pois essas ondas estão parecendo irresistíveis, mas ao embarcar nelas, talvez você esteja alimentando um monstro que poderá roubar sua alma e arruinar sua vida: “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte”. (Provérbios 14.12).
JESUS, A OPÇÃO DA VIDA!
Pr. Armando Paulo Castoldi
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Dilúvio no planeta dos outros? Esse pode!

Estava eu vagando pela internet, nas páginas de costume, e interessei-me por uma notícia: "Cientistas afirmam que Marte já foi inundado". Ok, interessante: Marte já teve a sua superfície repleta de água. Aí percebido uma coisa: Dilúvio, no Planeta Terra, não pode, mas em Marte, bom, até se faz questão. Por qual motivo? Existem mais evidências de um Dilúvio em Marte do que aqui? Ou existem interesses diferentes para Marte e para a Terra? Bom, antes de tirarmos conclusões precipitadas, vamos analisar algumas notícias marcianas:
Resumo do que segue, em ordem: Marte (dilúvio marciano, água dos meteoritos); Terra (oceanos subterrâneos, água de asteroides, evidências do Dilúvio, mudança climática); Reflexão; Conclusão.

Marte:

Jack Phillips, 10/03/2013, epochtimes.com.br:

"Nesta última quinta-feira, cientistas afirmaram ter encontrado canais subterrâneos intercruzando-se que seriam resultado de uma enchente ou inundação em Marte.
Com a Sonda de Reconhecimento da Órbita de Marte da NASA, os cientistas usaram um poderoso radar para investigar abaixo da superfície do Planeta Vermelho, dando-lhes a primeira evidência de que havia túneis subterrâneos criados por aparentes inundações, segundo um comunicado de imprensa da agência espacial norte-americana.
Estes canais, disse a publicação, foram causados provavelmente por 'inundações catastróficas nos últimos 500 milhões de anos'.
'Neste período, Marte teria sido de outra forma considerado frio e seco. Estes canais são essenciais para compreender até que extensão a atividade hidrológica recente prevaleceu durante tais condições áridas', acrescentou a publicação. Ao mesmo tempo, as enchentes também podem ter causado mudanças climáticas em Marte.
'Nossos resultados mostram que a escala de erosão que criou os canais foi subestimada e sua profundidade seria de pelo menos o dobro das aproximações anteriores', disse Gareth Morgan, um geólogo do Centro para Estudos da Terra e Planetários do Museu Nacional do Ar e do Espaço, que conduziu o estudo publicado na 'Science Express', na quinta-feira.
Ele acrescentou, 'Este trabalho demonstra a importância do radar de sondagem orbital na compreensão de como a água moldou a superfície de Marte'.”

29/09/2008, cubbrasil.net:
"Imagem divulgada pela Agência Espacial Européia mostra as fossas de Mangala, onde há evidências de sedimentação de lava e inundações, em Marte."

Sérgio Sacani, 09/06/2013, blog.cienctec.com.br:
"Dramáticas inundações esculpiram esse impressionante sistema de canais em Marte, cobrindo 1.55 milhões de quilômetros quadrados, mostrado aqui em um impressionante e novo mosaico feito pela sonda Mars Express da NASA. (...)
A paisagem foi separada sob a força de tensão da água subterrânea saindo pelas fraturas para criar não somente violentas inundações, mas também os padrões de fraturas únicas vistas em Sacra Mensa e em Sacra Fossae.
A neve o gelo derreteu pelas erupções vulcânicas provavelmente também contribuindo para o fluxo torrencial lamoso, enquanto a atividade glacial pode ter posteriormente moldado o sistema de canal."


Resumo: canais subterrâneos foram identificados em Marte, o que evidencia a ocorrência de fortes inundações. Essas enchentes podem ter tornado Marte mais árido do que antes, através de mudanças climáticas. A água moldou a superfície do Planeta Vermelho, que foi severamente maculada por inundações. De onde veio toda essa água? Pode ter vindo dos subterrâneos, para onde voltou ou, como sugerem alguns especialistas, por meio de meteoros (eles estimam uma outra inundação há supostos 3,8 milhões de anos, que durou uma década, foi causada por água vinda de meteoros, homenews.com.br). No mais: encontraram evidências de que ocorreu um dilúvio por lá e, então, viajaram nas sugestões sobre as origens da água necessária para isso.

Terra:

Marte tem: grandes canais subterrâneos. O que isso indica? Dilúvio.
A Terra tem: grandes canais e oceanos subterrâneos. O que isso indica? Certamente não indica o Dilúvio.
Natasha Romanzoti, 13/06/2011, hypescience.com:

"Os rios nem sempre estão aonde você pode enxergá-los. Um “rio submarino” foi descoberto no leito de um oceano ao largo sudoeste da Austrália.
Não é a primeira vez que tal fenômeno é observado, mas os pesquisadores afirmam que o fato desses rios terem sido vislumbrados em águas mornas é inédito. (...)
Os rios subterrâneos já foram descobertos em diferentes pontos ao redor do globo. No Mar Negro, os pesquisadores descobriram um rio debaixo d’água, que é bem mais profundo e fica no leito marinho."

Traduzido por Grachev Guerman, lambaritalia.blogspot.com.br, 10/2010:

"Os cientistas descobriram que há oceanos escondidos no fundo do planeta. As grandes massas de água estão localizadas a uma profundidade de mais de 1.000 km abaixo da superfície da Terra. (...)
Até recentemente não havia qualquer evidência científica sólida para apoiar várias teorias relativas às origens do Dilúvio. A situação mudou em fevereiro, após relatos de uma sensacional descoberta feita por pesquisadores dos EUA. Segundo seu estudo, a água que inundou o planeta saiu das profundezas da Terra. Os pesquisadores descobriram  imensos reservatórios de água abaixo da superfície da Terra. (...)
O Professor de Sismologia Michael Wysession da George Washington University de Saint Louis e Jesse Lawrence, com pós-graduação na Universidade da Califórnia em San Diego, uniram forças para realizar uma investigação aprofundada. Seu trabalho envolveu a análise de 600 mil sismogramas. Os resultados realmente fizeram eles suspirarem de espanto:  Havia provas de que pelo menos duas grandes massas de água foram localizadas embaixo da Eurásia e América do Norte."
Michelson Borges, Criacionismo.com.br, 20/08/2009; BBC, g1.globo.com, 20/08/2009:

"Cientistas da Oregon State University, nos Estados Unidos, acreditam que altos níveis de condutividade elétrica em partes do manto terrestre - região espessa situada entre a crosta terrestre e o núcleo - poderiam ser um indício da presença de água."
livescience.com, 28/02/2007; Michelson Borges, Criacionismo.com.br, 01/11/2011

A água de Marte: pode ter vindo de cometas. O que isso indica? Dilúvio.
A água do Dilúvio na Terra: parte pode ter vindo de cometas. O que isso indica? Certamente não indica um dilúvio.

Michelson Borges, Criacinismo.com.br, 03/05/2008
"Um estudo internacional, do qual participou o Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), da Espanha, demonstrou a influência da água em um asteroide cuja origem data de mais de 4,5 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista]. A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira [e noticiada pelo portal Terra], estudou 11 meteoritos cuja composição 'extraordinariamente similar' apontava que pertenciam a um mesmo asteroide 'progenitor'. (...)
Essa notícia faz pensar na 'grande catástrofe' descrita pelo geólogo Nahor Neves de Souza Jr., em seu livro Uma Breve História da Terra (SCB). No livro, o Dr. Nahor conta que nas seis missões do Projeto Apollo (1969 a 1972), desenvolvidas pela Nasa, foram coletados mais de 380 kg de amostras de solos e rochas da superfície da Lua. Quando os cientistas analisaram as amostras retiradas das crateras de impacto, perceberam que todas tinham a mesma 'idade'. A conclusão mais provável é a de que os impactos de meteoritos na Lua ocorreram praticamente todos ao mesmo tempo. Ou seja, a Lua foi vítima de um gigantesco e violento episódio, conhecido como o 'grande bombardeamento', que, na verdade, afetou todo o Sistema Solar. (...)
O mesmo fenômeno que causou os impactos na Lua pode ter atingido a Terra. (...) pense numa enxurrada de meteoritos caindo em terra e mar. Os que caíram na terra acabaram rachando a crosta, dando origem aos deslocamentos de placas tectônicas, aos terremotos e aos derrames de lavas. Os que caíram em mar poderiam gerar tsunamis de centenas de metros de altura, varrendo os continentes e destruindo tudo pela frente, sepultando quantidades incríveis de rochas, plantas e animais." Há a possibilidade de um planeta, entre Marte e Júpiter, ter explodido no passado (os sumérios tinham o conhecimento, por exemplo, de mais planetas próximos da Terra do que o Sistema Solar atualmente apresenta) e, com isso, podemos explicar violentos bombardeios de meteoros. Obs: por Marte estar mais perto do planeta que supostamente explodiu, seu dilúvio teria sido maior e mais duradouro do que o terrestre.
Água em asteroide? Veja aqui: "Encontrados sinais de água líquida em cometas", Michelson Borges, 08/04/2011 - "Cientistas encontraram indícios de água líquida no passado dos cometas, desbancando a ideia de que eles nunca experimentaram calor suficiente para derreter o gelo que forma a maior parte de sua massa."
Marte tem: superfície maculada por água. O que isso indica? Dilúvio. 
A Terra tem: superfície maculada por água. O que isso indica? Certamente não indica um dilúvio.

6º - Yangshuo, na China, formou-se através de erosão fluvial - há picos de até 1,5 mil metros de altura.
7º - A rocha sedimentar se forma somente abaixo d'água - 85% das rochas da Crosta Terrestre é constituído por rochas desse tipo.
8º - A Coluna Geológica, "evidência" da evolução, em nenhum lugar se encontra completa. Animais mais "primitivos" misturam-se com os mais "recentes" nas mesmas camadas.
9º - Árvores inteiras foram fossilizadas na vertical, transpassando diversas camadas de solo, o que indica um rápido soterramento por inundação.
10º - Fósseis de animais marinhos são encontrados até nas montanhas mais altas.
11º - Há muitos exemplos de rochas sedimentares dobradas, o que indica que, depois de assentado o material em camadas, uma força, provavelmente água, o dobrou.
12º - A existência de vastos cemitérios de fósseis, coisa que não se forma mais hoje, indica uma catástrofe.
13º - Animais marinhos "primitivos" na base da suposta Coluna Geológica não indicam evolução, mas um soterramento diluviano que enterrou, primeiramente, os seres mais primitivos e simples.
14º - As camadas sedimentares do solo se organizam da seguinte forma: os sedimentos, carregados por um fluxo de água, começam com as partes mais pesadas se assentando no fundo, enquanto as mais leves seguem a corrente. Depois de assentados, os sedimentos pesados no fundo também começam a se mover no sentido da corrente, cobrindo alguns sedimentos mais leves, culminando em lugares onde os sedimentos mais leves permanecem no fundo. Estudo de Gilbert Hall, sedimentólogo. Isso prova que os sedimentos do solo podem ter se distribuído como os vemos em um período de tempo recente.
15º - No Grand Canyon, por exemplo, as camadas do solo não raramente apresentam uma linha divisória perfeita entre si, indicando que o tempo decorrido entre a deposição de uma camada e outra foi curto, já que não se percebe erosão nenhuma entre elas.
17º - Dinossauros morreram por afogamento, é o que indicam os fósseis de répteis dispostos na vertical, com a cabeça curvada para baixo e a cauda para cima.
Fontes: 301 Provas e Profecias Supreendentes, Peter e Paulo Lalonde, Actual, 1999, pgs 71-81; No Princípio, Randal Milton Pollard, Gênesis, 2001, pgs 40-43.

O Dilúvio de Marte promoveu uma mudança climática brusca.
O Dilúvio da Terra, que jamais pode ter ocorrido, não foi responsável por nenhuma alteração climática.

18 º - Mamutes congelados foram encontrados na Sibéria, acontece que ele viraram gelo instantaneamente, enquanto comiam tranquilamente - e comiam plantas de um clima mais quente do que o da Sibéria atual, de um clima isento da mesma neve que os congelou. Isso tudo sugere uma mudança climática brusca e duradoura. Fonte: No Princípio, Randal Milton Pollard, Gênesis, 2001, pgs 42. Nesse caso, pode-se entender que, havendo o Dilúvio, é possível que uma glaciação global tenha ocorrido como resultado das alterações climáticas.
Reflexão:
Ok, todos os requisitos para um dilúvio de grandes proporções podemos encontrar tanto em Marte quanto na Terra, talvez bem menos em Marte do que na Terra, afinal, porém os cientistas estão mais perto de comprovar um dilúvio marciano do que o Dilúvio terrestre. O que isso nos mostra? A única coisa que consigo supor é: a forma de avaliação se baseia mais no interesse e vontade do que na evidência em si. Qual é o interesse? Qual é a vontade?

Água em Marte: não sabemos bem os motivos, mas nada está mais evidente do que o anseio pelo encontro de vida extraterrestre. Os cientistas querem, mais do que tudo, encontrar vida fora da Terra, ou, pelo menos, água - achando água, irão supôr a vida. Em Marte eles estão procurando vida e água - e estão procurando com tanta vontade, que até sugerem um planeta, no passado, totalmente banhado por ela. Eles querem vida fora da Terra, para entender melhor a vida terrestre e, claro, sugerir algo mais coerente para a origem da vida aqui - melhor do que a abiogênese, ou evolução química. Mas parece haver mais coisa em jogo...
Terra sem Dilúvio: a todo custo, esses mesmos especialistas querem tirar todo o crédito do relato bíblico. Quanto mais negarem as afirmações da Bíblia, mais felizes estarão... (?) Esse também é um fato. Eles sabem que, se a Bíblia estiver certa, Deus existe e, por algum motivo, o homem naturalmente odeia Deus, não quer obedecê-Lo, prefere colocar-se no lugar dEle. Aí a água em Marte faz sentido: com a vida começando lá, Deus não criaria a vida aqui (mas quem criaria a vida lá, então?) e com a falta de água aqui e a ausência do Dilúvio, a Bíblia estaria errada e, portanto, Deus estaria mais longe. Seria um combo interessante para os céticos! A incoerência está no fato de que, procurando por um dilúvio marciano, automaticamente eles abrem espaço para um dilúvio terrestre - o argumento contra Deus se torna exatamente o argumento a Seu favor. Desonestidade descarada, tropeço mais do que cômico - embora seja um pouco revoltante. Infelizmente as pessoas acreditam mais naquilo que querem do que naquilo que é evidente.

Conclusão: parece que, no ramo científico, boa parte das "verdades" se baseiam na vontade, no desejo, no sonho dos cientistas, das mídias, dos governos. Devemos desconfiar sempre! No final das contas, o seu esforço imenso em ocultar as evidências bíblicas demonstra a sua veracidade - o Dilúvio terrestre aconteceu, a Bíblia está certa e Deus existe - ou, pelo menos, chegamos muito perto disso.
Natanael Pedro Castoldi

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- Mistério

domingo, 4 de agosto de 2013

Pilares

Ondas mil estão varrendo a Igreja Evangélica do Brasil: "unção disso e daquilo", "objeto santo", "trízimo", Templo de Salomão... Tal igreja se vê envolta em infindáveis polêmicas e escândalos. Isso enquanto cresce o número de cristãos não-praticantes, desligados de Igreja, "politicamente corretos", regidos por pouca ou nenhum interação religiosa ou por um frio e ritualístico culto semanal, mensal ou anual. Afinal, qual é a Verdadeira Igreja? O que a define? São tantas formas de prática, tantas visões de mundo, tantas incoerências, idolatrias, fanatismo, gritarias, tantos caminhos diferentes e discrepantes que se torna cada vez mais necessário definir o que, de fato, é o cristianismo, separar melhor o que é seita e heresia daquilo que é verdade, que é de Cristo. Os não-cristãos, ao olharem para a Igreja, não sabem discernir qual é a nossa Verdade Central, pois estamos divididos em mil partições. Muitos cristãos também estão confusos: o que é de Deus? O que não é? Para facilitar a distinção daquilo que é verdadeiro do que é falso, vou trabalhar com, essencialmente, a definição de três pilares, pilares esse sobre os quais reside a Verdadeira Fé. Boa leitura! Obs: haverá repetição de conceitos e versículos, pois cada tópico necessita de um desenvolvimento temático completo, podendo ser completamente bem entendido mesmo se lido individualmente.
Resumo, em ordem: 1 - A Bíblia (imutável, universal, suficiente, Novo Testamento, de Deus); 2 - A Igreja (importância, definição, doutrina - oração aos Santos e mortos; o Templo; imagens e esculturas; anjos; politeísmo e idolatria; Maria; Bíblia e tradição; Pedro e o papado; salvação e relacionamento com Deus; dom de línguas; unções estranhas; reencarnação; carma; Teologia da Libertação; prosperidade); 3 - O cristão (definição, conduta e liberdade).

1 - A Bíblia é o fundamento primeiro da Fé Cristã: a própria Palavra afirma a sua primazia e suficiência como fonte doutrinária para o cristão. A qualidade das Escrituras como sustentação moral e teológica para o cristão é atemporal e universal. A Segunda Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo, no Terceiro Capítulo, versículos 14-17, afirma que a Palavra é inspirada por Deus, sendo a fonte primeira de ensino, correção, e instrução em sentido teológico e moral: tudo o que o cristão precisa necessariamente saber está naquilo que se resume em Bíblia Sagrada - sobre Deus e a Salvação e sobre como se comportar adequadamente. Somente ela transmite a Verdade suficiente para a Salvação em Cristo e apenas nela podemos discernir as formas de agradar a Deus através de boas obras - e quais são essas "boas obras".
"Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra." 2 Timóteo 3:14-17

a - A Palavra jamais mudará: a Bíblia deixa claro que Deus não se contradiz ou mente (Tito 1:2), de modo que Ele é imutável e perfeito (Hebreus 13:8) e, sendo assim, nada pode ser acrescentado às Escrituras. O cristão pode fazer uso de livros diversos para seu crescimento, mas não pode ter como orientação nada que entre em contradição com os princípios doutrinários e morais da Palavra. A Carta de Paulo aos Gálatas, Primeiro Capítulo, versos 6-9, diz:

"Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!"
O Apóstolo Pedro, a quem Jesus chamou para liderar a Igreja após a Sua Ascensão, considerou as Cartas de Paulo como Escritura, textos inspirados por Deus, e condenou com veemência qualquer interpretação distorcida de seu conteúdo:

“E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição.” 2 Pedro 3:15-16

O Apóstolo Paulo elogia os judeus de Beréia que, ouvindo a pregação do Apóstolo sobre as Escrituras verificavam avidamente a coerência de suas palavras em relação ao Texto Sagrado:

“Estes eram mais nobres do que os de Tessalônica e receberam a palavra com ansioso desejo, indagando todos os dias, nas Escrituras, se essas coisas eram de fato assim.” Atos 17:11
b - A Palavra é universal: Jesus Cristo, o centro das Escrituras, afirmou que nunca, ao longo de toda a História, algum traço da Palavra poderia ser removido (Mateus 5:18). O Messias afirmou, ainda, que tudo o que Ele disse aplica-se para toda a História (Lucas 21:33), o que, cooperando com a promessa de alcance mundial da Mensagem (Gênesis 12:3; Atos 3:25), nos leva a entender dois pontos fundamentais: a Palavra é universal e atemporal. Filipenses 2:9-11 é enfático: 

"Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai."
c – A Palavra é suficiente: o objetivo das Escrituras é nos levar a crer em Cristo Jesus como Senhor e Salvador e, enquanto trata da fé salvífica, orienta sabiamente o cristão nas vias morais. A Bíblia, no sentido da prática, resume bem a sua função no já citado 2 Timóteo 3:14-17, mas, no sentido de função espiritual na História Humana se justifica na caminhada profética de Hebreus 1:1 (Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho) e no emblemático João 3:16 (Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.) – se a Palavra transmite adequadamente a verdade em evidência, já é suficiente. João 20:30-31 deixa bem claro que o objetivo máximo das Escrituras é expor a Boa Nova da Salvação:
“Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”

d – O Testamento dos cristãos é o Novo: o Antigo Testamento foi tido como fundamento doutrinário nos tempos de antes de Cristo, resumindo-se aos eventos e leis que permearam os aspectos religiosos, morais, políticos, sanitários, culturais e econômicos do povo de Israel, centralizado no Templo, nos sacrifícios, no cumprimento dos estatutos da Lei, no território de Israel e na descendência genética de Abraão. A Lei serviu como uma forma de configurar os hebreus para a chegada do Messias, mas, uma vez que Cristo morreu na Cruz e venceu a morte, o que vale é a Nova Aliança, o Novo Testamento. Podemos ter o Antigo Testamento como fonte de inspiração, fundamentação histórica e profética, tesouro de ensinamentos e sabedoria e, por fim, um riquíssimo manancial de princípios eternos sobre o caráter e a vontade de Deus, mas não mais como o resumo de nossa vida espiritual – para o cristão vale o que consta dos Evangelhos até Apocalipse, principalmente as doutrinas ricamente ilustradas nos livros em questão – Cristo promoveu uma mudança extremamente radical. O Antigo Testamento se dá prazo de validade em Jeremias 31:31, Jesus Cristo impossibilitou a associação do Velho com o Novo em Marcos 2:22 e, em Lucas 22:20, explicitou a Sua Nova Aliança – Hebreus 8:13 reforça essa ideia. A Nova Aliança não é mais o Templo de pedra (1 Coríntios 3:16), nem o sangue do touro (Hebreus 10:4; João 1:29), tampouco a descendência genética de Abraão (Romanos 4:16), a Nova Aliança é Cristo:
“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” João 14:6

e – Só Deus altera a Palavra: os 10 Mandamentos, cerne da Lei do Antigo Testamento, vieram do Dedo de Deus (Deuteronômio 9:10), a única alteração –aprofundamento- da Lei foi o próprio Deus, em Cristo, que fez (João 13:34) e os Apóstolos tiveram contato com Cristo antes de escrever – Paulo ficou três anos apenas ouvindo o Espírito Santo (Atos 4:20; Gálatas 1:17-18). As profecias do Antigo Testamento são tidas como dadas diretamente por Deus, mas referem-se a ocasiões históricas, não alterando a doutrina. Líderes religiosos podem dar orientações extra-bíblicas de valor relacionadas a momentos históricos, contanto que não contradigam doutrinas explícitas e imutáveis das Escrituras, pois só Deus pode mudar a Palavra – embora nunca o tenha feito.
Em suma: 
- Igreja de verdade é aquela que se baseia na Bíblia e, em especial, no Novo Testamento. 
- Do balaio do cristianismo podemos destacar toda a denominação e seita que trabalha com sincretismos ou que se fundamenta essencialmente no Velho Testamento (obras, templos materiais, prosperidade material). 
- A Bíblia não pode ser alterada, pois alterá-la é questionar a essência do próprio Deus. 
- As doutrinas cristãs fundamentais são inegociáveis e imutáveis em sua atemporalidade e universalidade.
- A Bíblia é o que é, assim como Deus (Êxodo 3:14), e o primeiro passo para compreendermos o verdadeiro cristianismo está na análise da coerência da prática com a teoria explicitada nas Escrituras. 
- Devemos, sim, fazer uso de livros diversos e ouvir com atenção os conselhos de nossos líderes, mas sempre agindo como os bereanos: certificando-se da coerência do dizer com o conteúdo bíblico. 
- Textos de instrução religiosa podem ser escritos até hoje, mas nenhum pode entrar em conflito com o que foi primeiramente revelado.
 - Protestantes não devem ouvir cegamente as palavras de seu líder, pois ele não é Deus - devem, sim, verificar a concordância dessas palavras com as da Bíblia. Católicos podem e devem dar ouvidos ao Papa, considerando as suas palavras com a autoridade de alguém experiente, porém, mesmo sendo o Papa, o que ele disser não pode entrar em discordância com princípios bíblicos.

2 – A Igreja é a expressão de Cristo no Mundo: 
Tendo a autoridade da Bíblia devidamente trabalhada, posso usá-la para a definição do Segundo Pilar.
a - a importância da Igreja pode ser analisada em alguns pontos:
- Pouco antes de Cristo ascender aos Céus, Pedro ficou encarregado de dar continuidade ao “pastoreio do rebanho” que o Messias atraiu (João 21:16). 
- O legado imediato que Jesus deixou no Mundo foi a Sua Igreja (Mateus 16:15-19), para quem a Terceira Pessoa da Trindade, o Deus Espírito Santo, foi enviado como Consolador e Instrutor (João 14:26). 
- As últimas e, portanto, mais importantes palavras de Jesus, desferidas momentos antes da Ascensão, referiam-se à expansão da Igreja, constituindo a Grande Comissão (Mateus 28:18-20; Atos 1:8-9).
- A Igreja tem, diante de Cristo, uma autoridade especial (Mateus 16:18-19).
- A Igreja, ou reunião dos crentes, é a única forma de se ter o Corpo de Cristo, ou seja: para expressar Cristo no mundo é de suma importância fazer parte da Sua Igreja (1 Coríntios 12:13; Romanos 12:5).
- Ser Igreja é a melhor forma de cumprir a Grande Comissão (Efésios 4:12).
- Ser Igreja é a melhor forma de exercitar o Amor de Cristo (João 15:12).
- O Espírito Santo se desenvolve na Igreja, os dons espirituais são exercitados especialmente na congregação (1 Coríntios 12:3-10; Gálatas 5:22-25; 1 Tessalonicenses 5:19).
- Na Igreja o cristão tem apoio e pode ser corrigido do pecado (Romanos 12:10; Colossenses 3:13; Efésios 4:2, 32 e 5:21; 1 Tessalonicenses 4:18 e 5:11; Gálatas 6:2; Hebreus 3:13; 1 Pedro 1:22).
- A Igreja é que entrará com Cristo no Paraíso vindouro (Mateus 25:1 e 10; Apocalipse 19:7; Efésios 5:23-27).
b – A definição de Igreja
- Cada cristão constitui a Igreja (1 Pedro 2:5).
- É Igreja quem crê em Cristo como Senhor e Salvador (João 11:26) e participa na congregação dos crentes (Atos 2:46; Hebreus 10:25).
- A Igreja é um plural (Mateus 18:20). 
- A Igreja é uma só no Espírito Santo (Mateus 12:25; Efésios 4:4).
- A Igreja é multiétnica, multicultural (Gálatas 3:28), independente de governo e território (João 18:36; Efésios 6:12) e não despreza indivíduos por causa da idade (Mateus 19:14), gênero (Lucas 1:42), classe social (Tiago 1:27; Efésios 6:9), capacidade intelectual (Mateus 11:25), saúde física e estabilidade emocional (2 Coríntios 12:9), condição atual (Mateus 9:12) e passado vergonhoso (João 8:11).
- A Igreja deve manter-se pura (1 Coríntios 6:15) e, embora deva amar a todos, precisa acusar o pecado e lutar contra ele.
- Existem várias igrejas por vários motivos: adaptações culturais e nacionais, desavenças doutrinárias e interesses pessoais. A busca por pureza e a adaptação, em certo nível, é benéfica, mas toda a adaptação tem limites doutrinários. A Igreja, mesmo dividida fisicamente, continua sendo uma espiritualmente: os cristãos sérios das diversas denominações constituem a Igreja de Cristo, unida pelo Espírito Santo - isso porque é Igreja quem creu em Cristo Jesus e eu, protestante, creio, assim como muitos católicos também podem ter crido e se convertido de verdade.
c – No que crê a Igreja Verdadeira?
- Oração aos Santos e mortos: o Mundo dos Mortos está inacessível (Mateus 8:22; Lucas 16:19-31), assim como não temos acesso aos vivos do Céu; a única vez que um morto é evocado por homens, fora da vontade de Deus, o é por uma feiticeira (1 Samuel 11:20-28).
- Quem são os Santos: no Novo Testamento a palavra "santo" pode referir-se a todos os cristãos vivos e que ainda habitam esse mundo (Filipenses 4:21), pois estão purificados pelo Sangue de Cristo e, como a própria palavra significa, já foram "separados" dos demais; pode, também, referir-se aos que já morreram e encontram-se com Cristo nos Céu, todos eles (Apocalipse 14:12-13). Cristo é tudo em todos, portanto não existem santos mais importantes do que outros, Cristo é que é o importante (1 Coríntios 1:26; Colossenses 3:11).
- A Igreja e a Verdade: a Igreja não define a Verdade, não tem autoridade para tal, ela apenas sustenta a verdade pela Bíblia revelada (1 Timóteo 3:15).
- O Templo: Deus não habita em templos (Atos 17:24); louvamos a Deus fora do templo (João 4:21 e 24); Cristo substituiu o Templo (João 2:19); hoje nós somos o templo (1 Coríntios 6:19).
- Imagens e esculturas: como memorial servem, mas não podem receber orações (Salmos 97:7).
- Anjos: não possuem autoridade para transmitir algo diferente da Palavra (Gálatas 1:8); não podem ser adorados ou receber oração (Apocalipse 22:6-9).
- Politeísmo e idolatria: somente Deus, em qualquer circunstância, pode ser adorado e receber orações (Êxodo 34:14Lucas 4:8). Nossa fé dever totalmente depositada em Deus (Salmos 37:5; Gálatas 3:26). Só existe UM Deus e, por isso, torno, ilegitimamente, coisas e seres como "deuses" e "ídolos" diante de mim simplesmente por colocá-los à frente de Deus ou prestar-lhes qualquer forma de culto (Deuteronômio 6:4; Mateus 6:24).
- Maria: criada por Cristo (João 1:3); menor do que Cristo (Filipenses 2:9); nasceu de homens e foi menor do que João Batista (Mateus 11:11); Jesus tem autoridade sobre ela (Mateus 28:18); a Igreja é mais importante do que ela (Lucas 11:27-28); ela nasceu com o pecado (Romanos 3:10 e 23); só Cristo é o intermediador entre Deus e os homens (1 Timóteo 2:5); só Deus pode ser adorado (Lucas 4:8); só Cristo veio do Céu e veio sem pecado, voltando para lá (João 2:4 e 3:13); só Cristo salva (João 3:16); Maria não é "mãe de Deus" em sentido de autoridade e origem (João 1:1-3; Salmos 90:2; Mateus 28:18), é "mãe de Deus" por ter feito nascer o Cristo Homem - o Filho já existia antes, na Eternidade (João 3:13); Maria era imperfeita (João 2:4; Marcos 3:32-33), mesmo que admirável (Lucas 1:42). O Novo Testamento não apresenta informações suficientes e exposições doutrinárias que indiquem uma teologia para o Culto Mariano - se o objetivo de Deus fosse apresentar Maria como Divina, isso teria ficado mais claro nos Evangelhos e nos escritos paulinos, mas não ficou, pois só Deus pode ser adorado e só há um Mestre e Bom (Lucas 18:19) - esse culto é uma construção histórica, não teológica, além de contradizer a Bíblia, que é imutável e suficiente.
- Ceia do Senhor: primeiramente, Cristo diz que o Ceia é um ato memorial (Lucas 22:19 e 1 Coríntios 11:24), de modo que não desencadeia uma realidade espiritual, mas, sim, apenas expressa a realidade espiritual já presente no coração do cristão. Em segundo lugar, o fato de Jesus referir-se ao vinho como "Seu sangue" e ao pão como "Seu corpo", não significa que eles são, literalmente, corpo e sangue de Cristo - tal construção é comum no texto bíblico: figuras são usadas como símbolos carregados de significado, como quanto Cristo fala que Ele é a "Porta" (João 10:7) ou afirma que seus discípulos são "sua mãe e seus irmãos" (Mateus 12:49). A Ceia é um memorial do sangue jorrado e do corpo despedaçado por nós, um lembrete constante do sacrifício de Cristo (1 Coríntios 11:26). Em terceiro lugar, se a cada Ceia o verdadeiro sangue de Cristo precisa ser jorrado novamente e o verdadeiro corpo de Jesus precisa, novamente, ser despedaçado, então o sacrifício lá na Cruz não foi suficiente, o que entra em contradição com o texto bíblico (Hebreus 9:12, 26 e 28). O sacrifício na Cruz foi feito uma só vez, de uma vez por todas, tornando desnecessário que Seu sangue continue jorrando e Seu corpo continue sendo despedaçado. A verdade é que, para a remissão dos pecados, hoje só nos basta pedir perdão diretamente para o Pai por meio de Cristo, sem a necessidade de um novo sacrifício e nem do intermédio de um sacerdote humano (1 João 2:1; 1 Timóteo 2:5). Para a Ceia não é necessária a presença de um sacerdote? O Apóstolo Pedro disse que todos somos sacerdotes (1 Pedro 2:9). Romanos 14 e 1 Coríntios 10:23-32 facilitam todo o entendimento.
- Bíblia e tradição: a Bíblia é suficiente para instruir sobre a salvação (2 Timóteo 3:15); ela está pronta (Mateus 5:18); nada pode alterá-la (2 Pedro 3:16); a tradição é importante, pois nos mostra como a Igreja agiu na História e sob a perspectiva de sábios teólogos e evangelistas, mas não é maior que a Bíblia.
- Pedro e o papado: os mártires estão vivos no Céu e podem orar e interceder por nós diante de Deus (Apocalipse 6:9-10), mas nós só temos autorização para orar diretamente para Deus, em nome de Cristo e através do Espírito Santo (João 14:13-14) - até Jesus, o Filho, orou para o Pai! Quem somos nós para orar para outro? (Lucas 22:41); nenhum homem vivo é santo em essência (Romanos 3:23); só Cristo é intermediário entre os homens e o Pai (João 14:6); só Cristo é mestre e bom (Marcos 10:18 e 12:32-33); todo o cristão chega ao Pai por meio de Cristo (Hebreus 4:14); a Igreja, não o sucessor de Pedro, representa Cristo (1 Coríntios 12:27); o representante de Deus no mundo é o Espírito Santo (João 15:26); a Igreja é de Cristo (Mateus 16:18; Salmos 62:1); a Igreja se assenta sobre a declaração de Pedro (Mateus 16:16); Pedro é a raiz histórica da Igreja, seu primeiro líder (Atos 2), a “primeira pedra” (Mateus 16:18), representando primeiramente, com a Igreja, o Corpo de Cristo, o Filho (Marcos 16:19) – todos os cristãos são os sucessores sacerdotais de Pedro; Pedro diz que a pedra fundamental da Igreja é Cristo (1 Pedro 2:6); Pedro diz que todos os cristãos são “pedras” e “sacerdotes” (1 Pedro 2:5 e 9); nós não somos de "Paulo", ou "Apolo", ou quem quer que seja, nós somos de Cristo (1 Coríntios 3:4-11); o cristão deve se submeter a Deus (Mateus 22:37) e ao líder cristão, seja ele quem for (1 Coríntios 1:12-13, 3:6); nenhum homem é Deus ou perfeito (Mateus 22:37; Lucas 4:8); nenhum homem pode acrescentar algo às Escrituras (Tito 1:2; Hebreus 13:8); cada cristão é individualmente responsável diante de Deus (Romanos 14:12); Paulo e Apolo eram líderes sem sucederem ou se submeterem a Pedro - Paulo, inclusive, criticou a falha de caráter de Pedro (Gálatas 2:11-14). Pedro pecou (Mateus 16:23 e 26:34)..
- A salvação e o relacionamento com Deus: não há lugar central de adoração no Novo Reino (João 4:21-24); não há território político/geográfico pro mesmo (Mateus 18:20); o Templo e o território é o cristão (1 Coríntios 6:12); o único critério é crer em Jesus (João 3:16), ter Ele como Salvador, Verdade, Caminho, Porta (João 10:7 e 14:6); Cristo é o único intermediário entre o homem e Deus (1 Timóteo 2:5; Hebreus 4:14); através de Cristo, sem necessidade de mais ninguém, cada cristão pode chegar a Deus (Romanos 14:12); todos os que se ligam a Cristo fazem parte de Seu Reino (João 15:5); a ligação com homens, instituições e rituais não salva, somente a conversão individual à Cristo e a obediência pode promover salvação (Efésios 2:8; João 6:47); Pedro se baseia em Cristo, se creio em Cristo como Salvador (2 Pedro 1:11), amo a Deus em primeiro lugar (Mateus 22:37), amo o próximo como Cristo ama (João 15:12), produzo frutos (Mateus 3:8) e obedeço a vontade de Deus (João 14:21), sou Igreja; a salvação vem somente pela fé (Romanos 3:24), somente (Romanos 2:29), não por ligação genética e espiritual com um homem ou instituição, bastando uma ligação, pela fé, com Cristo Jesus (Hebreus 11:6); Romanos 2 afirma que ligamo-nos à Cristo por meio da fé, como a de Abraão, que foi salvo antes da Lei e do Templo; o batismo não salva, apenas demonstra e consolida uma realidade já existente no coração (Efésios 2:8; Lucas 23:43; Atos 1:5, 2:4110:47 e 18:8).
- Sobre o Dom de Línguas: podemos buscá-lo, mas é o menor dos dons e não pode ser usado sem que se tenha quem interprete. A pessoa recebe o Espírito Santo independentemente do dom de línguas (1 Coríntios 12:7-11 e 28-31; 1 Coríntios 14:1-17). As "línguas" do Pentecostes eram línguas humanas, conhecidas, facilitando o evangelismo (Atos 2:3-6).
- Sobre "unções estranhas": Deus age como desejar, mas dificilmente forçará algo escandaloso e humilhante (Mateus 18:7; Romanos 16:17); a fé não é irracional (Mateus 6:7), encontra-se Deus através do Espírito, não de objetos e rituais (João 4:24); não é válido agir espiritualmente para sobressair-se sobre os demais (Mateus 6:2); o dom serve para edificação, não para competição e divisão; Nabucodonosor foi humilhando em condição bestial (Daniel 4:33) - esse tipo de comportamento é demoníaco, não divino; sinais espirituais podem não provir de Deus se o indivíduo for incoerente na fé (Mateus 7:22-23).
- Sobre a reencarnação: o homem tem só uma vida, depois dela, vem o Juízo de Deus (Hebreus 9:27).
- Sobre o carma: o ladrão no Calvário, mesmo tendo vivido em vilanias a vida toda, de modo que foi condenado à cruz, foi salvo por, simplesmente, aceitar Jesus, independentemente de seu histórico e daquilo que merecia (Lucas 23:43).
- Sobre a Teologia da Libertação: a primeira alusão a tal teologia é feita por Judas e reprimida por Jesus (Mateus 26:8-11).
- Sobre a Prosperidade: o único que oferece as riquezas do mundo no Novo Testamento é Satanás (Mateus 4:9).
Em suma:
- Qualquer movimento que se diga cristão, mas que exclua determinados segmentos sociais e étnicos, deve ser desconsiderado.
- A Igreja é feita por todos os cristãos, de qualquer vertente, que creem em Cristo e O vivem.
- Não existe cristão sem Igreja.
- Ninguém é intermediário entre Deus e os homens além de Cristo.
- Cada cristão é um sacerdote, é responsável por si mesmo diante de Deus.
- Templo, território ou genética não salvam.
- Obras não salvam.
- Imagens, por si só, não são um problema quando servem para valorizar a memória de alguém importante ou perpetuar princípios de vida que envolvem o indivíduo perpetuado, mas orar para elas é, sim, errado. Êxodo 20:5; Mateus 4:10.
- Maria pode ser admirada e servir como fonte de inspiração, mas nunca considerada como Deus.
- Cristo não veio ao mundo libertar os pobres e oprimidos, veio trazer salvação eterna. Cristo não veio ao mundo para nos dar riquezas materiais.

Resumo:
- A Bíblia é tudo o que precisamos em termos de doutrina, é imutável e universal.
- O Reino de Deus é multirracial, universal e apolítico.
- Cada cristão é um sacerdote responsável por si mesmo diante de Deus.

Estabelecidos os Dois Pilares principais (Bíblia e Igreja), vou finalizar vislumbrando a figura do cristão em si:

3 - O cristão é um "pequeno cristo" para esse mundo:
a - Definição de cristão:
- A própria palavra "cristão" significa "pequeno Cristo". O cristão é um seguidor, um imitador de Jesus (1 Coríntios 11:1).
- Cristão é aquele que creu em Cristo Jesus (João 11:26).
- Só em Deus há salvação (Isaías 43:11).
- É cristão aquele que participa da Igreja (1 Coríntios 12:14 e 19).
- Está em Cristo aquele que se alimenta dEle, ou seja: liga-se espiritualmente à Ele através da oração, e conhece-O através da leitura da Bíblia e da experiência de vida (João 6:56 e 6:48).
- É cristão aquele que segue Cristo também no sentido de lutar contra a carne e em sofrer por Ele (Lucas 9:23).
- É de Cristo aquele que procura a honra e glória de Deus acima de tudo, que O ama em primeiro lugar (1 Coríntios 10:31; Mateus 22:37).
- É cristão aquele que obedece aquilo que é importante para Cristo (João 14:21). Não existe meio-termo: ou tudo, ou nada (Lucas 11:23) - felizmente Cristo nos perdoa em nossos deslizes (1 João 2:1).
- O cristão tem acesso direto à Deus através de Cristo (João 14:6) e é individualmente responsável pelos seus atos (Romanos 14:12).
- O cristão é: templo (1 Coríntios 3:16), perfume (2 Coríntios 2:15), carta (2 Coríntios 3:2), sacrifício (Romanos 12:1), noiva (Apocalipse 22:17)...
b - No que temos que obedecer a Cristo?
- Leitura da Bíblia (Salmos 1:1).
- Oração sincera (1 Tessalonicenses 5:17).
- Buscar o conhecimento das coisas de Deus (João 8:32).
- Nutrir uma fé racional (1 Coríntios 14:16; Romanos 12:1).
- Deus em primeiro lugar, adoração somente ao Criador (Lucas 16:13).
- Amar o próximo como Cristo amou os homens (João 15:12).
- Fazer aos outros aquilo que gostaríamos que a nós fosse feito (Mateus 7:12).
- Em amor, devemos ajudar os outros nas suas necessidades (Mateus 5:39-42 e 44; Tiago 1:27).
- Nossa maior missão é levar a Palavra de Cristo a todos quantos pudermos (Mateus 28:19-20).
- O cristão precisa buscar santidade (1 Coríntios 6:15; 1 Pedro 1:16).
- O cristão precisa ser parte da Igreja (1 Coríntios 12:14).
- O cristão precisa ser humilde (1 João 1:10).
- Omissão é pecado (Tiago 4:17).
- Qualquer imoralidade é pecado (Gálatas 5:19-21).
- O que eu penso ser errado e faço, se torna pecado (Romanos 14:14).
- Negar Cristo diante dos homens é pecado (Lucas 9:26).
- Viver deliberadamente em pecado pode me fazer cair (Hebreus 10:26).
c - Por quais motivos é lícito pensar diferente dos outros?
Existem questões centrais e inquestionáveis da fé, como a salvação pela Graça através de Cristo, a existência do Inferno e a Doutrina da Trindade. Tudo isso é muito claro e imutável, porém há uma área de livre especulação, fora o cerne, onde podemos opinar, contanto que não ameacemos as doutrinas centrais ou escandalizemos nossos irmãos. Dentro dessa liberdade, se ela não tirar a centralidade de Cristo, é que entendo que os cristãos das mais diversas denominações podem estar igualmente salvos, independentemente das igrejas às quais pertencem, pois a salvação é individual (1 Coríntios 10:25-28; Romanos 14:2-17).
Em suma:
- Cristão é somente aquele que creu em Jesus e o tem como Centro.
- Cristão é aquele que obedece aos mandamentos de Cristo.
- Cristão é aquele que ama e auxilia os próximos.
- Cristão é aquele que carrega consigo o nome de Cristo, deixando-o evidente aos demais.
- Cristão é aquele que ora, lê a Bíblia e procura conhecer a Deus e nutrir uma fé racional.
- Podemos ter opiniões, teorias e teologias, contanto que não firam as dourinas básicas da fé.

Resumo geral:
- A Bíblia é a nossa autoridade máxima.
- O culto à Deus não está em templos de pedra, nem sacrifícios, nem rituais, nem pessoas, está no indivíduo e a sua vivência diária.
- Cristo é o Único Caminho.
- Só podemos adorar ao Senhor Criador.
- É cristão quem se entregou a Cristo e O obedece.
Conclusão:
Denominação, liderança religiosa, templo, tradição, sucessão apostólica, nada disso garante salvação! A única coisa que garante a salvação é uma entrega individual à Cristo. Cristianismo não é uma religião, Cristo não deu nome ao Seu movimento, portanto não importa muito qual a placa da minha igreja. Ser cristão é, basicamente, ter a Bíblia como centro, a instrução de meus líderes e a tradição da minha igreja como fontes de sabedoria (sempre me submetendo às autoridades), nutrir uma fé de individual e constante comunhão com Deus e auxílio aos próximos, com foco no evangelismo. Ser cristão é viver como uma "carta viva", transmitido através de palavras e atitudes aquilo que Cristo pregou (1 João 3:18). Espero que, com base no estudo acima, você tenha conseguido discernir alguns problemas em sua vida cristã (se eles existem), para corrigí-los, e tenha encontrado parâmetros consistentes para compreender o que é "joio" e o que é "trigo" (Mateus 13:24-30).
Resumo - postei no facebook.com, 14/08/2013:
Uma leitura cuidadosa dos escritos paulinos, do Evangelho de João e das Epístolas Gerais, com o acompanhamento de um bom comentário e/ou dicionário bíblico, Bíblia de Estudo e/ou livro de teologia, nos leva a um entendimento mais realista e coerente do Novo Testamento e da verdade do Evangelho: a Boa Nova que independe de rituais, de aparências e de locais - mas, havendo liturgia, local e aparência, o cuidado está na disposição do coração do indivíduo, na sua consciência, no seu caráter, na realidade interior, que dá sentido e valor espiritual a tudo o que for feito externamente. A realidade espiritual é o selo de qualidade de toda a ação prática e, portanto, é mais importante do que tudo o que o indivíduo venha a fazer. Nem mesmo o Batismo e a Ceia fazem real sentido se o coração do cristão estiver indisposto, contrariado - a confissão pública de fé só tem valor se tal fé se fizer presente e coerente no coração do seguidor de Cristo. Compreendo que um entendimento honesto da maravilhosamente profunda Mensagem tornaria desnecessária qualquer discussão sobre assuntos tão superficiais, tão culturais, tão históricos, tão locais, tão denominacionais quanto os que vejo nesse debate. Se o Pão, por exemplo, é o corpo de verdade ou não, não importa: importa é partilhar da Ceia em memória de Cristo, importa é comer desse Pão, confessar a fé, estar com os irmãos, ser Igreja - e, conforme o entendimento e a minha sinceridade, com base naquilo que a Bíblia tem me falado, serei visto por Deus. Isso é simples, isso é Cristo, isso é Paulo - ambos severos críticos dessas lutas de aparência contra aparência, de vaidade contra vaidade, de homem contra homem. A essência nunca foi e nunca será o que eu ou você pensamos ou o que ouvimos alguém importante falar, o que o "Pincel" disse - a essência está naquilo que a Bíblia deixa evidente, naquilo que o "Artista" revelou de Si mesmo. Está tudo muito claro - chega de manipulações imaginativas. Chega de procurar as respostas na Tela e no Pincel, procuremos, somente, no Artista, que foi quem usou o Pincel e confeccionou a Tela.

Natanael Pedro Castoldi

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