De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade. 2 Pedro 1:16

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Obediência

Eis um dos temas mais relevantes da vida cristã: obediência. A obediência é uma obrigação de todo o cristão e ela, sem dúvida, é essencial para o cumprimento de toda a promessa na vida do seguidor de Cristo -Apocalipse 2:10-, para a formação do caráter de Jesus em nós -1 Coríntios 11:1-, para o cumprimento da Grande Comissão -Mateus 28:19-20- e, principalmente, para agradar a Deus, fazendo aquilo que O satisfaz, aquilo que Ele faz ou faria em nosso lugar, segundo a Sua natureza santa, amorosa e justa -João 15:14. Nós temos a consciência de que sem obediência não existiríamos como cristãos, padecendo de eterna condenação, pois João Batista teria cedido, Cristo sucumbido, os discípulos se dispersado, Paulo permanecido como Saulo... isso sem levar em conta todos os milhares de cristãos ao longo de toda a história da Igreja cuja obediência e ousadia mantiveram vivo e ativo o Corpo de Cristo -1 Coríntios 12:270-, sendo assim, a nós cabe obedecer, primeiramente afim de agradarmos a Deus, em seguida para alicerçarmos bom e eterno futuro para nós e, em terceiro lugar, para cooperar com a sobrevivência da integridade da Igreja no amanhã, já que, assim como somos resultado do esforço e sacrifício de muitos no passado, a posteridade dependerá de nosso caráter e entrega. Não parece haver espaço para discussão: a obediência deve estar no cerne de nossa vida, pois, me diga, é possível ser cristão sem fazer aquilo que compreende a identidade de um seguidor de Cristo? Não, assim como não posso me considerar marceneiro se não faço coisas próprias de um marceneiro, se não o for na prática! Seguem tópicos relevantes sobre o assunto em questão:
1º) Por que obedecer?
Repetindo um pouco do que já foi dito na introdução, falarei sobre os motivos a fazer da obediência algo necessário. Em primeiro lugar, a obediência promove a salvação eterna, partindo do ponto de que todo aquele que aceita a Cristo como Senhor e Salvador está aceitando, obedecendo, a vontade de Deus para a sua vida -Efésios 1:13. A questão que entra em atrito aqui vem na seqüência: você, uma vez salvo, ouvindo o chamado de Cristo, precisa manter-se em obediência para permanecer na situação de salvação?
O lado que diz que obedecer não é essencial trabalha com a predestinação, onde você não escolheu obedecer a Deus nenhuma vez, mas foi escolhido por Ele para ser salvo, aceitando-O sem opção, pelo simples fato de ter sido selecionado por Ele, o que, obviamente, não trata-se de obediência, trata-se de mero fatalismo -e não adianta argumentar o contrário com belas filosofias, pois a idéia é essa-, ou, se analisarmos de outro âmbito, todos obedecem a Deus, os escolhidos para fazer a Sua vontade, pois obedecem a condição lhes imposta pelo Pai, e os não-escolhidos, desagradando-O também em obediência a uma condição lhes imposta pelo Senhor. Os que pensam dessa forma precisam, então, questionar qual a necessidade de a Bíblia existir, se todo o processo de salvação ou condenação é mecânico, automático, instantâneo, promovido por Deus sem qualquer interferência humana, o que me é duro de aceitar, pois creio que O Criador nunca faz nada inútil e um manual de instruções, com ordens e condições sobre as quais não temos poder de aceitar ou discordar, já que estamos predispostos, ou não, pela escolha seletiva de Deus e Sua habitação voluntária na vida de uns poucos que Ele quer, e conseqüênte abandono irremediável daqueles que Ele não aceitou antes de -ou sem- dar-lhes chance alguma de escolher, acertar ou aceitar, a agradá-Lo ou desagradá-Lo. Os que pensam que somos salvos por fatalismo divino, repudiam toda a citação de salvação por obras -Efésios 2:8-9-, o que inclui a obediência, então não podemos ser salvos porque obedecemos ao Chamado ou aos posteriores critérios de Cristo, mas simplesmente porque Ele nos fez O obedecermos, de antemão nos salvando, anulando o livre-arbítrio presente em toda a Bíblia. Então, uma vez salvo, sempre salvo, independente do que faça ou não faça, pois tudo é "obra" e "obra" não salva, portanto, se estou salvo é porque fui Escolhido, verdade evidenciada pela obediência, e se não obedeço, não significa que perdi a salvação, mas simplesmente que não fui escolhido para ser salvo. Isso nos paralisa, nos deixa a mercê de um determinismo imutável e anula toda a necessidade de buscarmos, por vontade própria, a obediência -já que ela não influência em nada em nossa eternidade: ou queremos obedecer naturalmente porque estamos salvos, ou não queremos porque estamos condenados, não é algo que parte de nós, mas está gravado em nosso predestino. Então, se não obedeço, não estou salvo, mesmo que tenha me convertido seguindo o exemplo de Efésios 1:13. Tudo isso soa-me estranho!
O outro lado, porém, diz que a obediência, vinda voluntariamente de nós, é essencial tanto para a salvação, condizendo com a vontade de Deus, quanto para a perseverança nela -Hebreus 3:4-6; 2 Timóteo 3:14-15. A questão então é: como aliar salvação não comprada, mas dada pela Graça de Deus, sem obras, com a necessidade salvífica das obras, ambas expressas na Palavra? Ora, é simples, por mais que não pareça! Como não posso ignorar nenhum dos lados, já que a Bíblia, inspirada por Deus, é infalível, encontrei uma forma de conciliá-los, tomando da parte que trabalha com a necessidade das obras o livre arbítrio, a nossa ação voluntária e o desapego do dito determinismo fatalista e da parte que diz que as obras não servem para a salvação, a questão de que não se pode comprar, bajular, subornar Deus para adquirir favores, pois Ele vê o coração, a sinceridade -1 Samuel 16:7: sem Cristo não há salvação, sem Cristo não há nada que possamos fazer para agradar a Deus, pois somente O Filho, em Sua perfeição, pode agradar aO Perfeito Deus, portanto fica óbvia a inquestionável necessidade de aceitação da salvação e senhorio de Jesus e aceitá-Lo não é obra, pois se o fosse, a salvação após aceitá-Lo viria como o mérito, o salário merecido pelo trabalho, mas não o é, tratando-se de Graça imerecida, que recebemos ainda na posição de inimigos dO Pai, ainda imersos em trevas -João 14:6-, trata-se apenas de "abrir a porta" para Jesus, que está a bater -Apocalipse 3:20. Lembre-se de que Ele está batendo nas portas de todos -Mateus 22:9- e de que você não está "consumando uma obra" quando lhe abre a porta de sua vida, mas apenas aceitando a Sua presença, por isso o livre arbítrio combina bem com a Graça. Aqui, então, entra o ponto em questão, vide Tito 1:15-16:
"Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados. Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra." 

O primeiro ponto a levarmos em conta está no verso 15: somente em Cristo podemos agradar a Deus naquilo que fazemos e, portanto, longe dEle, tudo o que de melhor venhamos a fazer não tem valor nenhum, pois somente Ele é suficiente para colocar-nos diante de Deus. O próprio Jesus disse ser a "porta" -João 10:7-, pela qual entramos sem merecimento algum, simplesmente porque, ainda impuros e inimigos dO Pai -Colossenses 1:21-, decidimos nos prostrar diante dEle e, entrando, pela Graça, finalmente somos colocados diante do Senhor, do Deus Pai, e é agora que a obediência em obras pode agradá-Lo, já que é a perfeição de Seu Filho que está agindo em nós. O Espírito Santo, então, nos habita, capacitando-nos para as boas obras, mas não nos obrigando a consumá-las, cabendo a nós, reconhecendo o estímulo que o Espírito de Deus nos põe e a vontade dO Pai -seja a Sua vontade universal, explícita em conceitos bíblicos, seja a Sua vontade específica, revelada diretamente para nós e em relação ao que Deus quer em e com nossas vidas-, a realização delas. Pelo livre arbítrio escolhemos agradar ou desagradar a Deus, isso depois de salvos pela Graça. É aqui que entra o segundo ponto da passagem de Tito: colocados diante dO Pai por meio de Cristo, decidimos, pelas obras, se permaneceremos ou não nessa posição - a "Porta Estreita" é Jesus, mas o "Caminho Apertado", que vem depois, somos nós que trilhamos pela obediência, Mateus 7:14. 2 Crônicas 15:2 expressa uma verdade eterna que parece inquestionável: "O SENHOR está convosco, enquanto vós estais com ele, e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, (Ele) vos deixará." Com isso podemos concluir que a obediência, compreendida no ardente amor -voluntário- por Deus -Marcos 12:30-, no auxílio aos necessitados -Tiago 1:27; Mateus 10:8-, no evangelismo -Mateus 10:27-, na ousadia perante o Mal -Mateus 10:22- e na busca por santidade -Mateus 5:8; 1 Coríntios 6:10-, fazem-nos perseverar no caminho salvífico -João 15:1-6- onde entramos por intermédio de Cristo - vale lembrar que estamos salvos desde o momento em que nos entregamos a Jesus e a obediência, que vem na seqüência, não garantirá nada além do que já temos, porém a sua ausência, segundo as condições em que nos encontramos -Lucas 12:48-, pode resultar na condenação, 2 Pedro 2:21-22; Hebreus 6:4-6. *Mais sobre isso, leia: "Evidente", "Pedindo pra morrer" e "Anticristianismo cristão". Assim como a justiça de Deus pune a impiedade com juízo, galardoa a obediência com bênçãos, sejam terrenas ou eternas.

2º) A Natureza da Obediência
Segue o esboço de uma pregação minha sobre o assunto:

Obediência
Na perspectiva de Noé 
1ª Parte
Obediência:
Ato ou efeito de obedecer; submissão à autoridade legítima; sujeição; disposição para obedecer; hábito de obedecer; autoridade, domínio; dependência.

Na Bíblia:
Submissão incondicional à vontade de Deus.
Mitos sobre obediência cristã:
É fácil, revogável, descartável, negociável, descontínuo. “Deus, sendo bom, não nos exigiria sofrimento, luta, esforço, basta pedir em oração que todas as bênçãos de prosperidade cairão do céu.”

A verdade sobre Deus:
Ele não é bobo, não quer filhos interesseiros e mimados, usa de dificuldades para que venhamos a depender dEle, nos fortalecer e lapidar, valorizar o que temos, valorizá-Lo. Pela dor e entrega vencemos a carne, o pecado.
2ª Parte
Mundo em caos –Gênesis 6:5-; Deus precisa julgar -7-; um pedido para um homem justo -13-17. 

1º- Exige mudança, entrega, abrir mão

-Noé tinha mais de quinhentos anos -5:32-, portanto, teria que abrir mão de sua rotina de séculos –hábitos, prazeres, serviços costumeiros.

-Noé teria que trabalhar em algo totalmente novo, abrindo mão do comodismo.

-Noé também abriu mão do mais belo que tinha em suas propriedades, tendo de tornar lenha a cobertura vegetal que ele mesmo preservava por séculos.

-Noé poderia argumentar com Deus: “Mas eu já planejo há anos fazer “tal” coisa...”; “Eu tenho outra idéia...”
2º- Exige coragem e iniciativa

-Noé poderia, nos muitos anos que imaginava que teria para trabalhar, procrastinar o serviço.

-Teve que ter coragem para ser diferente de todos os demais, abrindo mão de sua reputação, sendo tido por louco.

-Coragem e iniciativa para começar um serviço descomunal, sabendo das dificuldades vindouras – a Arca teria (+ -) 150x25x15m = 40.500m³ de volume e 40.000m² de área somando os 3 pisos, suficiente, com sobra, para 120 mil animais do tamanho de uma ovelha.

-Se tivesse tido medo da reação da família, do povo e adiado o início da obra, por comodismo, não teria saído do lugar.
3º- Exige continuidade

-Uma vez iniciado o imenso trabalho, Noé só obteria êxito indo até o fim – um barco só navega quando concluído.

-Noé poderia ter tirado férias no meio da obra e desistido de continuar ou atrasado mortalmente todo o processo. Mas não o fez.

-Se o trabalho fosse realizado de pouco em pouco, a parte final seria concluída quando a parte inicial já estivesse totalmente apodrecida.

-A pausa poderia promover a tentação de desistir, visando o conforto ou a manutenção dos laços com o restante da sociedade.
4º- Exige zelo, qualidade

-Noé poderia ter levado essa ordem difícil como uma difícil obrigação e feito de qualquer jeito.

-Deus exigia qualidade não simplesmente para agradá-Lo, mas por amor à vida dos tripulantes de uma arca firme.

-Noé, por comodismo, poderia ter feito um serviço ruim, mas isso custaria a sua própria vida – e a de sua família.
5º- É cansativo, árduo, demanda esforço e tempo

-Noé, vendo a dimensão da obra, poderia questionar: “Eu, que sou um homem justo, por que tenho que sofrer? Por que tenho que passar por isso? Por que Deus não envia ímpios ao meu serviço para fazê-lo?!” Afinal, teria que cortar, trabalhar, encaixar e pregar a madeira, além de impermeabilizá-la, isso sem contar a estocagem de alimentos e outros muitos detalhes.

-Noé poderia argumentar: “Eu sou um homem muito velho para isso, delegue para outro mais jovem do que eu. Além disso, pouco entendo sobre embarcações.” –Deus não torna dispostos os capazes, mas capacita os dispostos.

-Temendo o serviço doloroso e a posterior temporada com milhares de animais “fedorentos e barulhentos”, poderia procurar argumentos para não trabalhar: “Eu estou velho, talvez ficando louco. Não foi Deus quem me pediu, tudo não passou de viagem da minha cabeça, de insobriedade minha. Os outros tem razão.”
6º- Gera vida em nós e para os outros

-Nós só estamos aqui hoje por causa da obediência de Noé, que garantiu a própria vida, a vida de sua família, de toda a fauna animal e de toda a humanidade, culminando, inclusive, em Cristo.

-Noé poderia ter pensado: “Eu já tenho meio milênio de vida, não vou durar mais muitos séculos, então vou fingir que não ouvi nada de Deus e aproveitar ao máximo meus últimos anos até o Dilúvio, pois, de qualquer forma, não vou mais muito longe.” Ainda bem que ele dedicou sua vida pela vida dos outros.

-Noé tinha em suas mãos o poder para matar ou promover a vida.

-A omissão gera atraso e até morte para si e para os outros.
6.1º- Deus exige obediência para o nosso próprio bem

Imagine essa cena: um dia de manhã você recebe uma carta de Deus dizendo: “O monstro chamado Pecado está aniquilando o mundo inteiro, sua influência já penetrou o coração de quase todos levando a humanidade ao caos. Eu preciso acabar com o Pecado, para as coisas voltarem ao normal e, para tal, vou destruir esse mundo, pois ele já se vê mergulhado no influência pecaminosa. Se você aceitar receber a marca de meu Filho e passar a lutar contra o Pecado, tornando-se diferente dele, será resgatado e retirado desse mundo quando meu Filho lhes visitar. Isso te exigirá esforço, persistência e o abrir mão de ti mesmo, de pessoas, de coisas e projetos pessoais. Você decide: obediência, para que Eu possa salvá-lo, ou desobediência, para que Eu me obrigue a destruí-lo juntamente com o Pecado, que será teu dono.”

-Nosso mundo hoje parece estar no limiar do caos, da destruição e Deus está perdendo a paciência. O que Ele te pede para fazer, assim como pediu para Noé, é cooperar com a tua própria vida e com a vida dos outros. Não se tratam de caprichos e vaidades.
7º- Cada um deve fazer a sua parte

-Noé não teria conseguido sozinho, pois tratava-se de cortar, trabalhar, tratar e estruturar a madeira, além de todo o planejamento e logística. 

-Os filhos de Noé certamente ajudaram no serviço –v 18-, uns lenhando, outros carregando, outros erguendo e encaixando as vigas. As mulheres certamente cuidaram das vestes e da alimentação.

-No meio do Dilúvio somente com o trabalho em equipe, numa divisão de tarefas eficiente, poderia esse número reduzido de tripulantes alimentar e tratar todos os animais e a si mesmos e ainda promover a manutenção da embarcação.
8º- O fruto pode ser póstumo

-Se vivemos para os outros, a nossa obediência pode resultar em vida para tais, mas não necessariamente para nós.

-Logo após o Dilúvio, Noé se viu tão infeliz que embebedou-se – Gn 9:20-23 – o mundo pós-diluviano era cinzento, lamacento, frio e desprovido de belos bosques e exuberante fauna, por isso, depressivo.

-Não há relatos de que a vida de Noé fora mais feliz depois do Dilúvio. Nos seus 350 anos pós-diluvianos, num mundo vazio e inóspito, provavelmente sofreu muito, mas o resultado de sua obediência veio com o passar de milênios, onde temos Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, Jesus... Nós.

-A obediência de Noé o levou a uma espécie de sacrifício em prol dos outros.
9º- O real prêmio é eterno

-Noé morreu sem ver o resultado de sua obediência, mas certamente no Céu foi grandemente recompensando.

-Apocalipse 2:10 - "Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida." 

-1 Coríntios 3:13-14 - "A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão."

-Você obedece a Deus por interesse? De modo condicional?!
Lembre-se:

-Deus usa de problemas e desafios para te fazer crescer.

-Se Deus quer te dar pães, ou se você os pedir, após lhe dar os grãos, provavelmente te fará limpar e arar o solo, semear o trigo, protegê-lo, colhê-lo, moê-lo, torná-lo massa e da massa fazer o pão, no forno que você construir e com o fogo que você ascender e alimentar, pois o processo gera mais frutos do que o produto.

-Se Deus quer que você dê pão a alguém, não o fará cair do céu diante de ti, mas te cobrará dos recursos que Ele mesmo te deu, exigindo o teu serviço.

-O obediência no pouco, na vontade universal de Deus –Bíblia- te fará saber a vontade específica dO Pai pra tua vida. Obedecendo no pouco, você será colocado para obedecer em questões mais difíceis e assim por diante. É uma jornada.

Em resumo: abrir mão - iniciativa - coragem - continuidade - zelo - esforço. Gera vida - exige cooperação - pode ser esforço “Ingrato” - reflete na eternidade - é uma jornada.
3º) Como proceder

Como ponto de término da reflexão, colocarei na íntegra o esboço de um estudo que dei em um encontro de jovens durante o ano que cursei teologia em Gramado, sobre parâmetros bíblicos, em relação ao que fazemos, para identificar a voz de Deus e a voz do "mundo".

Um só caminho, uma só salvação. Ou a ovelha escuta a voz de Cristo e o segue, ou não escuta e não o segue. Não existe meio termo, não existe alternativa, não existe escapatória, ou é céu ou é inferno, ou é Deus ou é Satanás. A Bíblia é muito, muito clara quanto a isso – passagens: Mateus 7:13-14; 7:24 e 26; 12:30.

Só existe um caminho para Deus, que é a santidade depois de uma entrega a Cristo. Mas como identificar a voz de Deus nesse mundo barulhento? Há várias passagens bíblicas que nos dão bom fundamento sobre isso. O que é de Deus? O que não é de Deus? O que posso fazer? O que não posso fazer? 
Realmente é perigoso sermos curiosos e arriscarmos, pois, ouvindo a voz de Satanás, poderemos vir a cair, portanto, é bom levarmos em conta alguns conceitos Bíblicos. 2 Coríntios 11:14.

- Antes de tudo, devemos entender que não somos de aço, indestrutíveis, e que Deus não irá nos proteger das conseqüências de nossos próprios atos e escolhas. 1 Coríntios 10:12; Jeremias 17:9.
- Temos liberdade de escolha e ação, mas se escolhermos errado, colheremos os resultados do pecado. Gálatas 6:7.
- Temos liberdade de escolha e ação -1 Coríntios 10:25-27; Atos 10:9-16-, mas Deus quer continuar sendo O Primeiro em nossas vidas, O ÚNICO SENHOR, a quem dedicamos toda a nossa devoção e amor. Se algo O tira da posição de supremacia em nós, então é satânico. Mateus 6:24.
- Temos liberdade de ação e escolha, mas é pecado tudo o que nos destruir ou destruir o próximo, o que evidencia falta de amor. Também inclui-se aqui tudo o que nos vicia e tira o predomínio de Deus em nós. 1 Coríntios 6:12 e 10:23 -> Salmos 1:2.
- Nós temos liberdade de gostar e fazer, mas tudo o que escandalizar os próximos e que puder fazer-lhes cair, deve ser evitado. Mateus 18:6; 1 Coríntios 10:28-29 e 32.
- Olhe o fruto social daquilo que está pendendo a gostar, pois o fruto evidencia a árvore e se o fruto for maligno, provavelmente a árvore é Satanás, ou o homem, caído. Mateus 7:17-20.
- A boca fala daquilo que está cheio o coração – Lucas 6:45-, o justo não aceita o conselhos dos ímpios – Salmos 1:1-, logo, aquilo que evidencia mau caráter, deve ser descartado - 1 Coríntios 10:20-22.
Finalizando: nós temos liberdade de escolher e agir, mas tudo o que ferir os Dois Maiores Mandamentos não deve entrar em cogitação. Mateus 22:37-39.
- Nosso dever nesse mundo é disseminar o Evangelho, essa é a prioridade. Tudo o que ferir esse princípio é ruim. 1 Coríntios 10:33.
- Nós não devemos nos conformar com o padrão desse mundo, que jaz do Maligno, logo, tudo o que for padrão mundano, deve ser questionado. Nós devemos ser diferentes dos mundanos, sal e luz! Romanos 12:2, 11 e 21 e Mateus 5:13-16.
Pergunte-se: "Onde está o meu tesouro?" Mateus 6:19-22. "Busco em primeiro lugar o Reino de Deus?" Mateus 6:33.

Conclusão:

Aqui concluo a postagem, esperando ter esclarecido alguns pontos determinantes sobre aquele que é um dos assuntos mais pertinentes da fé cristã: essencial para a salvação, exige esforço e entrega, sempre gera vida e não vem como ritual ou mera obrigação, mas fruto da lógica, baseada na liberdade - sim, a obediência a Deus liberta, pois passamos a ter opção de dizer "não" aos anseios carnais, podemos escolher pelo diferente, sermos diferentes, nos tornarmos oposição voluntária do "mundo", vide João 8:32.
Natanael Castoldi

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mitologia

O Brasil possui dezenas de milhões de "evangélicos", mas quantos destes são, de fato, cristãos? Das dezenas, quem sabe menos de uma, pois, dizendo-se cristãos, pouco ou nada conhecem de Deus, e desconhecem não somente a Palavra, o Evangelho na íntegra, mas, como que cegos, vêem mal o pouco que lêem da Bíblia, sendo terrivelmente parciais e tendenciosos na análise dos textos, observando com força apelativa algumas poucas palavras favoráveis ao comodismo e ganância humana e ignorando com veemência descarada todo o contexto, todo o restante da narrativa das Escrituras, inconveniente para o pseudo-cristão que, como um humano ainda caído, sem realmente ter conhecido a liberdade salvífica proporcionada pelo Filho, prossegue mundano, querendo de Deus apenas a resolução de seus anseios tipicamente seculares, que a natureza pecaminosa, imersa em seu espírito não renascido nO Pai, almeja. Por isso hoje se tem pulado, apagado, rasgado, queimado ou, na melhor das hipóteses, modificado, todo o texto bíblico que fala de sofrimento, privação e perda para os seguidores de Cristo: são incrédulos, que pensam serem crédulos, invadindo em massa as igrejas, usurpando o trono de Jesus e se adonando da Palavra de Deus para, seguindo a negridão de suas almas e utilizando-se do poder existente no cristianismo como argumento, ferramenta de domínio, como meio para suprir as necessidades carnais e prosperar, alimentando o orgulho, o ego, alimentando o EU e fazendo de Deus mais um serviçal do que senhor, já que o verdadeiro rei das vidas desses "cristãos" sem Cristo, é o seu próprio coração. Como disse o meu pai, noutras palavras, outro dia: alguns líderes, juntamente com multidões idólatras, tomaram de assalto os domínios do Reino de Deus e, digo eu, perverteram a verdade bíblica e cristã, tornando-a como a face diabólica desse mundo imerso em pecado e subjugado por Satanás - digo mais: não só tornaram-na "como", mas "parte", pois, longe dO Pai, restam os principados infernais.
Eis, então, o problema da igreja de nossos dias: está cheia de incrédulos, dominada por eles, literalmente cegos para o que há de mais evidente e óbvio na Bíblia sobre ser cristão. Outrora já disse que creio terem sido muitas das outras religiões desse mundo o fruto da influência demoníaca ou da própria natureza humana e hoje, analisando melhor, ao ver traços de toda a espécie de idolatria pagã no "cristianismo", em oposição tremenda ao que está escrito na Palavra, não me restam dúvidas: somente uma igreja de longe não-cristã pode inserir em suas práticas o que é tipicamente pagão, pois é o homem distante de Deus que se vê subjugado a vontade de Satanás, é o homem distante de Deus que se vê subjugado a sua própria vontade, o que resulta natural e diabolicamente em paganismo. O problema não está na Igreja de Cristo em si, pois essa sempre continuará existindo, sendo constituída de cristãos verdadeiros, corpo, perfume, embaixadores dO Filho, essa sempre persistirá pura e liderada pelo próprio Deus em paralelo a um mundo caído e cada vez mais perverso, o problema está na parte da igreja -que não é mais "Igreja"- liderada pelo homem, feita de pseudo-cristãos que exaltam a figura humana e se vêem imersos, parte desse mundo caído e perverso, o problema, portanto, não é com Deus, nem com os cristãos -embora sejam omissos-, mas com aqueles focos, aqueles grupos humanos que, dentro de igrejas, não são igreja, não são, de fato, filhos de Deus e agem, portanto, como cânceres, cólera, covis satânicos dentro da congregação, infiéis disfarçados de fiéis, levando os verdadeiros fiéis ao atraso - é o joio em meio ao trigo... mas, infelizmente, no ponto em que chegamos, parece-me que o joio se tornou mais que o trigo, invertendo a ordem, tendo o trigo em meio ao joio. Partes da igreja, determinadas denominações lideradas por pastores corrompidos, extremamente gananciosos, e dominadas por crentes cuja devoção está mais no líder do que em Deus, está mais no poder de objetos "sagrados" do que no Espírito Santo, cuja fé se baseia mais no êxtase do que no conhecimento das Coisas do Alto, estão mais para seitas não-cristãs, religiões à-parte, devido ao seu heterismo, ao seu sincretismo, do que "igreja" de fato. 
O juízo de Deus será implacável, principalmente com relação aos que, conhecendo a Sua verdade, a perverteram, conhecendo a Sua vontade, foram rebeldes, conhecendo o Seu poder, zombaram e tentaram  usurpar Seus domínios! Romanos 1:18-32. Mas nós também seremos cobrados por nossa omissão, ao vermos a honra dO Pai posta a prova e não reagirmos, não defendermos o verdadeiro cristianismo, não defendermos a santidade da igreja e é aqui que eu pergunto: onde estão os protestantes de fato? Tiago 4:17. Onde estão aqueles que, vendo a atrocidade, a blasfêmia, a heresia, se levantam em meio a congregação, interferem no desenrolar do ritual pagão e, bradando, apontam o dedo para o líder corrupto, questionando sua atitude e comparando-a ao que Deus nos disse na Bíblia?! Onde estão?! Somente o protesto, de filhos prezando pela honra do pai, é que pode, efetivamente, bater de frente com esse pseudo-cristianismo, mais semelhante ao satanismo. Publicar artigos como esse, compartilhar vídeos ou frases, demonstrar reprovação para com os que concordam, é fácil e pouco eficaz, precisamos nos levantar nos antros da cólera e bradar, desafiar os que discordam, levar a verdade diretamente aos ignorantes, manipulados, e o temor aos inimigos declarados de Deus, disfarçados de cristãos. Num dado episódio Jesus repreende Pedro, que lhe aconselhou erroneamente, bradando: "Aparta-te de mim, Satanás!" -Mateus 16:21-23- e nós, da mesma forma, ao ouvirmos algum líder pedindo ofertas altíssimas em troca de ídolos -Isaías 2:20- e etc, deveríamos bradar: "Cala-te, Satanás!" O meu apelo é para que, como cristãos, comecemos a fazê-lo!! Muita coisa está em jogo, cristianismo não é cômodo, devemos lutar!
Infelizmente alguns podem bradar, na defesa: "a Bíblia dá aval para a venda de objetos milagrosos, apóia a prosperidade e a valorização de relíquias e do templo!" O que segue servirá para provar que as multidões que assim pregam estão precipitadas, vide seus argumentos, as passagens bíblicas e a minha argumentação:

-"Jesus usa de barro para curar, por isso objetos podem ser meios de aplicação do poder de Deus -João 9:6-7": 
Tal proposta não tem grande fundamento, mostrando-se mais um argumento desesperado para os que querem manter seu comodismo e secularismo, do que um posicionamento devidamente bíblico. Se você acha conclusivo tal trecho da Palavra, de Deus usando algo existente como ferramenta de cura, então explique a escassez de outros eventos desse tipo no Novo Testamento - há poucos, pois grande parte dos atos milagrosos de Jesus e dos apóstolos se consumaram de modo direto, sem a dependência da matéria, o que serve de padrão. Se Cristo não dependeu de matéria para curar outros cegos -Mateus 9:28-30-, então Seu poder é suficiente para não depender, de modo algum, de nenhuma matéria para curar em qualquer circunstância e qualquer problema, por isso não se pode crer que o "lodo" foi essencial na cura, mas foi o meio utilizado para curar uma pessoa específica, segundo a lição que Cristo lhe queria ensinar e conforme o que havia em seu coração, também não se deve esquecer que O Criador é, evidentemente, criativo e independente, podendo agir de modo novo e diferente, segundo a Sua vontade, mas o meio utilizado nunca pode interferir na verdade de que O Criador, que fez tudo diretamente do Nada apenas com Seu poder, tem condições plenas de agir tremendamente sem nenhuma ponte física.
Repare, ainda, que o cego da passagem de João busca Cristo de mãos vazias, sem cobrar-Lhe ou orientar-Lhe sobre como o curar, apresentando-Lhe o lodo, não! Ele chegou-se ao Filho carregado apenas de fé, de plena certeza de que o poder e o amor de Cristo eram suficientes para a sua cura completa e, por isso, apenas por isso, foi curado, o lodo foi tido como iniciativa de Jesus que, com base na fé de antemão demonstrada pelo cego, decidiu aplicá-lo como método de cura, em resumo: o cego apenas se curou em fé diante de Cristo pedindo-Lhe a cura, mas o método usado para curar, abençoar, não veio da iniciativa do cego, mas daquele que cura e abençoa, é Ele quem determina os meios para os fins, a nós cabe principiar e obedecer. A questão do lodo e da necessidade de lavar os olhos no Tanque de Siloé, no contexto, mais pareceu uma ferramenta didática para o curado do que um meio essencial para a cura: Jesus queria ensinar uma verdade prática para o cego, de que para ser "próspero" não basta simplesmente orar ao céu que as bênçãos caem como chuva, sem esforço, pelo contrário, é necessário ter a iniciativa e demandar esforço e tempo, pois o mecanismo pelo qual o cristianismo trabalha é projetado para, evitando o comodismo pelo conforto e facilidade, tornar os fiéis proativos e de caráter lapidado pelo serviço.
As "igrejas pseudo-cristãs" da atualidade, que utilizam do nome de Deus como argumento para vender relíquias milagrosas por altíssimos valores, com base em pura ganância, estão, portanto, trabalhando com mentira descarada, primeiramente porque não parte da pessoa determinar um objeto, um meio, pelo qual Deus irá exercer Seu poder, mas, unicamente, a iniciativa de, pela fé, pedir-Lhe segundo as suas necessidades, o meio a canalizar a bênção, se por ventura a oração for respondida -pois o "NÃO" de Deus também existe, podendo ser tido como uma disciplina para o cristão interesseiro e descompromissado ou proteção da parte dO Pai, que deixa de dar ao homem pecador aquilo que pode corromper seu coração-, está a cargo dO Criador, que poderá usufruir de infindáveis artifícios, desde o advento milagroso, sem canal algum, súbito e explicitamente sobrenatural, até o envio de um irmão com palavras de encorajamento ou disposição de auxiliar em serviço ou recursos, mas tudo depende dos planos soberanos dO Eterno, segundo aquilo que Ele quer ensinar ao fiel. A dependência exclusiva da fé, sem o apego à matéria, como se  O Criador da matéria dependesse dela, é um teste para o cristão, uma disciplina benéfica, fazendo-o aproximar-se da face verdadeira de Deus e aprofundar os relacionamentos com Aquele que transcende -Hebreus 11:1-. Quem crê que O Criador do Universo tem poder para agir sem depender de nada além de Si mesmo, está preparado para entender que Ele pode utilizar-se da matéria que Ele mesmo criou como ferramenta de bênção, mas sem necessitar dela e tal percepção cria uma imagem sadia e sóbria dAquele com quem fomos criados para nos relacionar, um Deus que é mais que religião, um Deus que é vivo, proativo, independente, absolutamente surpreendente e soberano e que, embora algumas vezes difícil de ser entendido, deve ser tido antes como um amigo muito próximo, do que uma divindade fria e totalmente deslocada de nossa realidade.
No final das contas uma coisa é certa: Deus não canaliza o Seu poder a um objeto específico, produzido por uma empresa específica, "abençoado" por um pastor específico e vendido por um valor determinado, não!! Ele é independente e pode agir com mais poder, se você tiver fé, através de um cascalho da beira do rio do que através daquele "martelinho milagroso" que você comprou do "apóstolo" por "apenas mil reais". Deus não age por dinheiro, não é como um banco, que dá mais retornos financeiros conforme os valores nele depositados, não! Ele já é, naturalmente, dono de tudo o que criou e não há nada que esteja fora de Seus domínios, portanto, o "martelo milagroso" não está mais perto de Deus do que a folha seca caída ao chão!! Em momento algum da Bíblia O Pai é "ativado" por meio de objetos, como se fosse uma divindade pagã, na verdade a única coisa que realmente chama a atenção de Deus em qualquer lugar do mundo e por meio de qualquer coisa é uma fé sincera, firmemente fundamentada numa devoção real, evidenciada por um coração disposto e entregue -Salmos 34:18. Nem ao menos o Templo de Salomão era um recipiente adequado para Deus, que não pode ser limitado pela matéria, já que transcende - é o próprio Salomão quem o diz em 1 Reis 8:27 -, tendo mais um sentido didático para o povo, do que uma necessidade direta para Deus -evidenciando a diferença gritante que há entre Deus, santo, e o homem, pecador; mantendo o temor dO Pai, afim de provar o coração dos hebreus -e estrangeiros convertidos- e deixando muito clara a necessidade de Cristo para reaproximar O Pai dos homens, dos arrependidos. Com Cristo o véu do Templo se rasgou -Mateus 27:51-, indicando que temos acesso direto aO Pai -João 4:21-24-, tornando-nos, agora, o verdadeiro templo de Deus -1 Coríntios 3:16.
-"Deus promete prosperidade aos Seus filhos"-Isaías 1:19:
Esse é um exemplo escancarado daquilo que disse sobre o fato de os "cristãos" de hoje picotarem os textos bíblicos procurando só o conveniente e ignorando o inconveniente, mesmo que ele esteja evidente, pois dois versículos acima há uma condição para o "comer o melhor da terra":"Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas." É um típico exemplo de querer o agradável e evitar aquilo que exige esforço, entrega, pois todos falam de Isaías 1:19, mas poucos lembram de seu verso irmão, o 17, que, convenhamos, é bem mais nobre e vital do que o 19! Quando Deus propôs a Lei aos hebreus - eu digo "propôs", pois Ele não os obrigou a aceitá-la, mas deu-lhes liberdade de concordarem com os termos ou não e, somente após concordarem, cobrou-lhes a obediência -, certamente o objetivo principal não era fazer prosperarem materialmente os indivíduos da nação israelita, mas fazer valer a Aliança Abraâmica, de o povo de Israel ser uma bênção para o mundo -Gênesis 12:3-, o que tem uma aplicação diretamente eterna, e é aqui que entra o auxílio aos necessitados, excluídos e ignorantes, como a mensagem prática da teoria, como o demonstração da bondade de Deus por meio de Seus seguidores, fazendo a atenção dos povos se levantarem para o tão bondoso e ativo Deus de Israel. Então o plano de Deus era, pela benéfica postura dos hebreus, fazer as nações derredores se prostrarem e, se curvando, serem abençoadas materialmente como os hebreus já eram - tirando que a fartura de alimentos e outros recursos, prometidos por Deus, também deveria ser mais um meio de auxílio humanitário do que alicerce para o comodismo.
O problema dos cristãos de hoje é que se esquecem do objetivo de estarmos aqui, como abençoados pela culminância da Aliança Abraâmica, que é Cristo. Queremos imaginar que o Céu já começa agora e que fomos colocados nesse mundo como criaturas inúteis, que devem apenas angariar bens materiais e saúde. Queremos atrair os mundanos pela ganância, o que, por si só, é algo totalmente anticristão: "eles vão querer vir pra nossa igreja porque aqui existe prosperidade". Esquecemos também que estamos no Novo Testamento, não no Velho, vivendo num mundo a funcionar de modo diferente, já que O Cristo, a Pedra Angular, já esteve entre nós para consertar parte das coisas, portanto o nosso chamado não é "mais" para "prosperidade" -e nunca foi-, mas para entrega, privação, luta e, se houver alguma bênção, que ela seja repartida com os necessitados, pois é para os fracos que Jesus veio e, sendo nós outrora fracos, para os fracos devemos ir -leia: "Quem somos?" e "O Fundamento". Nós estamos nesse mundo, como cristãos, antes para levar a Boa Nova aos cativos e o maior prêmio, tanto para nós, quanto para eles, é a Vida Eterna! Aqueles que se preocupam muito mais em ter todos os problemas resolvidos e infindáveis riquezas materiais, para serem maiores do que os outros ou viverem plenamente bem, antes de terem com os pobres e necessitados, não são, de fato, cristãos, pois o cristianismo prega a humildade e generosidade - se o cristão tem bens em demasia, é porque não está usando, destinando, parte do que Deus lhe deu para suprir as necessidades daqueles que padecem de privações, resumindo-se mais num hipócrita, num tremendo mal exemplo, do que num emissário de vida, seja ela boa para eternidade, seja ela boa para a mortalidade - vide Tiago 1:23-27. Lembremos que o miserável não se interessará pelo teu Deus até saber o quanto você, como seguidor de Deus, se importa com ele - matada a fome, tomado o banho e vestida a roupa nova, terá condições físicas e psicológicas de se interessar por algo além de apenas sobreviver.
O fato é que devemos separar as coisas: Israel, inicialmente, está na parte da Aliança Abraâmica correspondente à descendência genética do Pai da Fé -Gênesis 12:1-2- e o Velho Testamento está relacionado diretamente aos fatos ocorridos com a nação assim constituída, havendo profecias e leis direcionadas exclusivamente ao povo em questão, por isso não podemos tê-las como para nós, pois fazemos parte dos "estrangeiros" na Aliança Abraâmica -v 3. Há uma diferença entre o que se refere a um estado político e um reino espiritual e são esses os focos diferenciais do Velho e do Novo Testamento e a prosperidade material, que só aparece como promessa terrena no Antigo Testamento, tem um vínculo de necessidade muito maior no estado político de Israel do que no reino espiritual inaugurado depois de Cristo, do qual os israelitas cristãos também podem fazer parte - um reino maior, alicerçado na Palestina, com a cruz cravada na rocha como uma bandeira de conquista posta no cume de uma montanha ou na torre da fortaleza inimiga, mas que se alastra pelo mundo inteiro, unindo, do Povo Escolhido, os que aceitaram Cristo, aos gentios que igualmente se converteram aO Filho.
É uma questão de lógica: num mundo sem Cristo e com o Espírito Santo a descer e estimular apenas alguns ungidos de Deus, o relacionamento com O Pai, que é o centro da fé -O Filho veio para reaproximar o homem dO Pai e o Espírito Santo é enviado como representante dO mesmo-, só poderia ser tido de uma forma mais distante e fria, já que não havia o nascer de novo no Espírito de Deus, o que define e inspira o cristão a servir aO Pai, e o Pecado, ainda não vencido e aniquilado pelo sacrifício dO Filho, mantinha um abismo quase que intransponível entre O Santo Deus e o pútrido homem. O mundo sem Cristo não podia funcionar corretamente e hoje, mesmo que imerso em caos, pelo menos a relação entre Deus e os homens que aceitaram carregar a marca dO Filho, as engrenagens estão todas no lugar, pois o cerne de perfeição foi reinserido na Criação, para reaproximar o imperfeito do Perfeito Deus. O Pai, simplesmente, não tinha alternativa, dentro de uma realidade de livre arbítrio, senão a de sugerir leis para o Povo Escolhido agradá-Lo ou não, nem tanto leis para aproximarem-nos dEle, pois sem Cristo ninguém se aproxima de Deus, independente das obras, mas leis para testar o seu interesse em estar ou não com Ele através da obediência, valorizando-se mais a devoção sincera e fazê-los entender um pouco da Sua natureza -através das verdades eternas, dos conceitos, por detrás da letra fria-, do Seu padrão e experimentar, através da obediência, a Sua bondade ou, através da desobediência -após o aviso prévio e muitas chances-, a Sua justiça e poder - então a imagem de um verdadeiro pai se constrói: Ele dita as regras, supre as necessidades e, quando necessário, por amor disciplina, sabendo do que será melhor para um futuro sadio -Jeremias 5-, leve em conta que a possibilidade de dura disciplina gera o medo de errar voluntariamente, evitando a rebeldia, e, quando aplicada, demonstra, na prática, que falhar machuca, é prejudicial e, no caso de nosso relacionamento com Deus, expressa a realidade de que o afastamento do Deus da Vida só pode gerar dor -Hebreus 12:6-8.
Agora a Lei parece demonstrar a sua mais necessária utilidade: fundamentar a nação política de Israel num sólido alicerce de moral -punição do adultério, afim de prevení-lo pelo medo, assim como da rebeldia, furto...-,  sanidade física -cuidado com alimentos, armazenamento, afastamento temporário de doentes e mães após o parto...-, parâmetros religiosos -monoteísmo, o Templo e festas memoriais, rituais de obediência e entrega, prevenção contra o paganismo, como no caso de não se misturar tecidos nas roupas, já que a mistura de tecidos era um típico ritual cananeu, segundo a crença de que os tecidos "acasalariam" e "promoveriam" prosperidade- e orientações políticas -auxiliar na preservação da propriedade de terceiros, não trapacear, respeitar a honra das mulheres, dos líderes da família, dos sacerdotes e do Senhor...-, veja alguns exemplos em Levítico 19 e Deuteronômio 22. A questão é que todo esse sistema de leis extremamente profundas a amparar completamente Israel tinha um objetivo central e posterior: fundamentar uma nação rígida e forte, que sobrevivesse tempo suficiente para sair dela, como fruto da Promessa, O Messias, e isso num contexto de relativa segurança sanitária, moral e política, além, é claro, como já disse, de transmitir conceitos sobre a natureza de Deus através de exemplos práticos. Cristo veio para reaproximar Deus dos homens, sim, mas também para corrigir a postura dos homens em relação à Lei, mostrando-nos que a questão não é o seguir de uma letra fria e estritamente literal, mas o aplicar honesto de conceitos amplos - e isso com base em sobriedade e sinceridade.
Bom, até agora eu não falei muito sobre a prosperidade em si, pois tudo não passou do pano de fundo para o que direi na seqüência: Deus diz, no Antigo Testamento, que recompensará a obediência à Lei com prosperidade material para a nação e isso tem dois motivos principais, ao meu ver: como o povo precisaria obedecer aos estatutos dO Pai para manter-se unido e forte até a vinda do Messias, servia como um estímulo, um apoio, um chamariz, pois sem a habitação do Espírito Santo entre os homens -numa realidade sem Cristo o oposto seria impossível, lembre-se também do livre arbítrio, pois Deus não arromba portas, ide Apocalipse 3:20-, mas no Templo, eles não teriam aquele forte ímpeto espiritual de obedecer aO Pai e ter profundo prazer nisso, pois, só após algumas disciplinas de nossa parte, o anseio por Deus, que é Santo e Perfeito, é inspirado em nós pelo Espírito Santo habitando-nos, sendo Ele também Santo e Perfeito, já que, naturalmente, pela carne, repudiamos O Pai. Os homens, sem o Espírito Santo e Cristo, não tinham motivos naturais para a obediência às Leis de Deus, mas a promessa de prosperidade era um meio dO Pai, na realidade do livre arbítrio, estimulá-la. O segundo motivo também está incluso na realidade da nação política: como Israel tinha que se fortalecer e sobreviver até a vinda dO Messias, precisava de um alicerce econômico estável, o que proporcionaria o comércio com as nações vizinhas, abasteceria as famílias israelitas e enriqueceria de recursos e saúde todo o estado, o que também aumentaria a natalidade, isso sem contar com o fato de que a prosperidade chamaria a atenção dos povos vizinhos para Israel e Seu Deus, como já disse - é claro que a prosperidade como resposta à obediência também servia como um ensinamento, deixando evidente que vida abundante só existe diante do Deus Vivo, mas vale lembrar que a ganância e arrogância sempre foram condenadas pelo Pai, vide Amós 6, por isso "prosperidade" tem limites. Então toda a questão da Lei e das bênçãos como recompensa serviram, principalmente, para garantir a sobrevivência de Israel e a vinda dO Messias, o foco central da História Humana, e é Cristo que, vindo, divide a história do Reino em duas, separando as águas: passou-se o reino político e iniciou-se o reino espiritual, mantido hoje através do Espírito Santo em nós.
Hoje, como cristãos, não temos motivos para vivermos atrás de prosperidade. Eu não desconsidero o Antigo Testamento, de forma alguma, pois ele nos traz exemplos de fé e luta fortíssimos, nos ensina muito sobre Deus e nos mina de conhecimento e entusiasmo com O Pai, só acho que o AT é apenas o alicerce espiritual e histórico para o cristianismo, o Novo Testamento, que brotou dele, reformando seus ensinamentos e mostrando a Boa Nova dO Filho ao mundo que se inseriu, após a Sua morte e ressurreição, na realidade do Reino Espiritual. Da mesma forma, não penso que o cristão não deva buscar a realização material, pois Cristo nos ensina a pedir aquilo que almejamos -Mateus 7:7- e também não penso que Deus não pode ou não quer nos abençoar materialmente, pois, de fato, Ele se importa conosco e procura pela nossa felicidade -Mateus 6:30-, a questão está na realidade em que vivemos hoje: não sendo um reino material, político, mas uma congregação mundial de fiéis, não precisamos de fortes alicerces econômicos para nos sobressairmos, e como Cristo já morreu por nós e o Espírito Santo é quem nos motiva naturalmente a estar com Deus, não dependemos de nenhum estímulo material para tal, pois isso inibe a fé sincera, que é aquilo que O Pai procura. A missão dos cristãos hoje -sejam hebreus convertidos ou gentios igualmente salvos- é diferente da missão da Antiga Israel: não temos que constituir uma nação que atraia pessoas de outros povos para si, como um ímã, através da chamativa prosperidade, mas temos, como emissários do Reino de Cristo na Nova Aliança, que ir até as pessoas e as atrairmos para Jesus pelo nosso bom exemplo, pelas palavras de libertação e salvação eterna e, quem sabe, pelo suprir de suas necessidades básicas, através do ato de repartir o que temos - na Velha Aliança os que sofriam eram atraídos para Israel, na Nova Aliança os que se alegram em Cristo são atraídos pelos que sofrem. De qualquer forma, o estilo de vida itinerante que o ideal cristão propõe não pode combinar com o padrão sedentário que a "prosperidade" exige.
É fato que Deus quer curar, trazer conforto e prosperidade aos que sofrem, aos abatidos, é por isso que muitos vão até Ele e, conhecendo-O verdadeiramente, se entregam, é o próprio Deus que o orienta, dizendo "vinde" -Mateus 11:28-, mas dessa libertação promovida na vida dos que passam a crer não deve suceder uma rotina folgada e voltada para as riquezas desse mundo e é por isso que Cristo, após nos erguer e fazer conhecer O Pai, desfere outro mandamento, o "ide" -Mateus 28:19-20. Como O Messias já veio e abriu as portas do Céu para nós, nossos interesses nesse mundo, como filhos de Deus, devem, fundamentalmente, ser voltados ao que é eterno -Colossenses 3:1-2-, primeiramente porque Deus não divide domínios com as riquezas mundanas em nossas vidas -Mateus 6:24-, pois repudia a idolatria -Mateus 22:37-, em segundo lugar porque toda a matéria, seja bela ou rígida, irá se desfazer com o tempo ou no Dia do Senhor, quando Ele julgará o mundo -Mateus 6:19-20- e em terceiro lugar, porque nos serão cobradas as vidas dos incrédulos a quem não apresentamos o Evangelho, já que nos omitimos -Tiago 4:17- e permitimos o seu tropeço nas trevas enquanto nos preocupávamos mais em amontoar tesouros -Marcos 9:42. Lembre-se de que não fazer a vontade de Deus é desobediência -Mateus 12:30-, a desobediência gera inimizade -João 15:14- e a inimizade para com Deus nos afasta dEle, rumo ao Fogo Eterno -Mateus 22:11-13. A "prosperidade" da forma como se apresenta hoje, não pode ser bíblica, pois oferece ao homem aquilo que já em pecado ele quer, sendo apenas mais um fruto do diabólico humanismo de nossos dias, até porque Deus não incentivaria o homem a procurar justamente por aquilo que dificultasse o desenrolar da Grande Comissão e da vida cristã, pois desde o Éden caímos no erro de nos deixar levar pelo que é belo e saboroso, pelo que é prazeroso -Gênesis 3:6- e facilmente abandonamos Deus em troca do ego -Mateus 6:1-6; Lucas 22:26-, do comodismo -Mateus 25:1-13. A nossa real prosperidade será no Céu, futuramente!! Hoje, meu caro, somos guerreiros!
-"Prosperidade é uma evidência de que a pessoa está agradando à Deus"
Isso o livro já tratou de aniquilar, pois ele sofreu terrivelmente mesmo sendo um homem justo. Deus não trabalha com trocas, não se pode comprar a Sua bênção, pois assim como Ele permite que as dádivas do sol estejam disponíveis ao incrédulo -Mateus 5:45-, pode permitir que o crédulo passe fome, em ambos os casos fazendo-o por amor. Especificamente no caso do sofrimento, da dor, da doença, fome ou frio, somos lapidados, desistimos de nós mesmos e nos entregamos completamente à Deus, a única salvação, o que aprofunda nosso relacionamento com Ele e aperfeiçoa nosso caráter, fazendo-nos mais simples, humildes e acessíveis -2 Coríntios 12:9; Filipenses 4:12-13.

"Prosperidade" nem de perto é evidência derradeira da proximidade com Deus, embora possa ser um pequeno indicativo -Mateus 6:25-34-, basta analisarmos o fato de que Satanás ofereceu todos os reinos do mundo -caídos- para Cristo como condição de Ele desistir de Sua missão salvífica -Lucas 4:5-7. Um "cristão" de hoje certamente consideraria uma "bênção" de prosperidade sem tamanho ter o mundo inteiro nas mãos -e uma evidência descarada da ação de Deus-, mas estaria sendo, simplesmente, precipitado. O texto nos mostra uma realidade perigosa: Satanás também pode promover prosperidade na vida dos homens, mas qual é a condição? Devoção para com ele. O "cristão" que prospera, mas vive pouco do que a Bíblia fala, estando em pecado, portando-se com arrogância e ganância, vivendo mais para o EU do que para Deus e os outros, provavelmente, segundo o que o texto de Lucas nos diz, está recebendo a sua prosperidade diretamente de Satanás, já que ele a busca pelos meios e motivações erradas, além do fato de tal prosperidade corrompê-lo ainda mais. O Inimigo é o mestre da enganação -2 Coríntios 11:14-, sempre disposto a aniquilar os filhos de Deus -João 10:10-, imobilizando-os ou, até mesmo, destruindo-os eternamente - ou, pelo estímulo, levando-os a fazerem-no consigo mesmos -Jeremias 12:1. Com isso não quero dizer que Deus não permite que alguns prosperem, aqueles que Ele sabe que não vão se corromper, pois para cada um Ele determina uma missão específica e pessoas com recursos financeiros são essenciais para financiar missões evangelísticas no mundo inteiro e dar amparo para irmãos e igrejas locais.
Mateus 7:21-23 é bem conclusivo: não importam as evidências físicas, se o cristão não faz a vontade de Deus, não O obedece, tudo é vão e, provavelmente, as supostas evidências não são de Deus, mas frutos do esforço, poder do EU ou, até mesmo, de Lúcifer. Com isso não descarto as possibilidades de O Pai ser a fonte das riquezas e do poder eventualmente exercido por seus seguidores desobedientes, mas parece-me mais provável que não seja. Então aqui entramos noutra questão: não é porque o culto de tal igreja tem gritaria, línguas espirituais, curas e ricos testemunhos, que, de fato, Deus seja o centro das coisas. Muita da ação pode ser fruto de emoção ou postura forjada para chamar a atenção, porém, de fato, há coisas indiscutivelmente espirituais, mas eu entendo que o aspecto dessas coisas evidencia a sua origem: se algo é bizarro, estranho demais, como uma pessoa a cair súbita e duramente ao chão, indivíduos tremendo freneticamente nesse mesmo chão ou gritos altíssimos, suponho ter algum envolvimento demoníaco -é hipótese-, que, se não relacionado a um exorcismo, não passa de um teatro de enganações, pois a presença de Deus, quando agindo sem empecilhos, é suave, branda e promove paz de espírito -1 Reis 19:11-13. O fato é que, se você vê eventos sobrenaturais numa igreja que idolatra o templo, o prédio, que se apega a relíquias como se fossem poderosas -um retorno ao judaísmo, aos tempos sem Cristo-, que prega a prosperidade, que vende objetos milagrosos, idolatra o pastor -retorno à Idade Média- e procura, incansavelmente, altíssimas ofertas em dinheiro -sendo que só Jesus basta, João 14:6-, desconfie das fontes, pois é impossível ser igreja cristã, de Cristo, sem seguir os parâmetros definidos por Jesus no Novo Testamento, já que a identidade do cristianismo está na prática e aceitação de determinadas questões que, se revogadas, descaracterizam-no e, portanto, o anulam -Gálatas 1:8. Também desconfie dos chavões: "Eu determino que Deus me dará tal coisa", pois isso vai contra a lógica de que quem determina as coisas é O Pai, que, além de soberano, sabe o que nos é melhor -Romanos 9:20; Lucas 22:42- ou o "eu profetizo sobre a minha cidade..." quando, na verdade, não foi Deus quem inspirou essas palavras - 2 Pedro 1:21. Desde quando o homem tomou o lugar de Deus nas decisões?! Desde quando?! A igreja de nossos dias precisa retomar o saudável temor do Pai!! Provérbios 9:10. A experiência espiritual não pode ser o fundamento da fé, a essência, mas, sim, o conhecimento da Palavra e a vida prática com Cristo, tendo o Espírito Santo diariamente agindo na rotina, não em eventos específicos! Marcos 16:20 afirma que os sinais milagrosos não ocorrem apenas como belo espetáculo, mas existem, acompanhados da pregação, exclusivamente para confirmar que aqueles que divulgam o Evangelho são, de fato, de Deus e que, portanto, falam a verdade, logo, sinais e prodígios desacompanhados de uma vida cristã coerente ou de uma doutrina indiscutivelmente bíblica, não são frutos dO Pai, mas quando há sinais e milagres ao lado da sã doutrina e exemplo de vida, sem hipocrisia, daí podemos creditar a ação celestial - feitos miraculosos também servem como chamariz para o evangelismo. O fato é que a grande luta do cristianismo não é por cura, fartura, liberdade em termos materiais, apesar de auxiliar nisso, mas o acúmulo de "tesouros eternos", já que tudo aqui é efêmero!
Hoje vive-se um cristianismo totalmente incompleto: somente emoção, sem conhecimento ou razão - 1 Coríntios 14:15-16 e Romanos 12:1; imediatismo materialista, sem busca por santidade - 1 Pedro 1:16; tudo se resume ao sobrenatural ou material, não há equilíbrio; a loucura da cruz - 1 Coríntios 1:18 - perdeu o seu sentido original, deixando de ser loucura por fugir da normalidade humana, indo no rumo oposto a uma sociedade gananciosa e egoísta, para se tornar loucura do ponto de vista psicológico, de multidões de fanáticos insóbrios gemendo, rolando no chão, imantando animais, acreditando no poder de objetos e construções e na divindade de indivíduos, pura mitologia. Nada disso a Bíblia estimula e, mesmo assim, isso tudo acontece como se fosse bíblico! Alguns líderes corrompidos tomam o controle das massas que, ignorantes e necessitadas, se entregam mediante palavras bonitas, espetáculos pirotécnicos, jogos de luzes, shows, dando ingenuamente grandes quantias de dinheiro aos usurpadores e, assim, movimentando uma maliciosa indústria. Isso está errado!! Sinais e prodígios até os demônios podem fazer -Êxodo 7:10-12-, conhecimento frio das Escrituras, também os demônios possuem -Tiago 2:19; 1:22-24- e "paz interior" foi o que Jesus menos sentiu no Monte das Oliveiras -Mateus 26:38... no final das contas a única evidência indiscutível de um cristianismo coerente está na prática -Filipenses 4:8; Colossenses 3:5-11; Mateus 5:38-44! A Igreja, a  congregação dos crentes, existe para unir os filhos de Deus afim de que exerçam o amor na simplicidade e levem, juntos, o Evangelho e o auxílio material aos miseráveis! Eu e você podemos iniciar a mudança, primeiramente trabalhando o nosso próprio caráter e aprofundando a vida com Deus, depois criticando e se impondo à pouca vergonha que tem tomado a "pseudo-igreja" do Brasil e do mundo - "as planícies de joio que sufocam o trigo"-, lembrando que não lutamos contra homens, mas contra os poderes demoníacos que os dominam, isso por amor a Deus e por amor aos dominados -Efésios 6:12- e, por fim, construindo, como irmãos, uma Igreja mais saudável, mais de Cristo. É isso que finalmente peço como conclusão: sejamos mais de Cristo e menos religiosos!! Atos 17:11.
Natanael Castoldi

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Caverna

Você já ouviu falar do Mito da Caverna, de Platão? Pois bem, brevemente contarei-o ao meu modo: havia um grupo de homens que desde que se lembravam viviam dentro de uma caverna, nunca tendo saído dela, nela nascido e nela vivendo absolutamente todo o tempo, por isso a sua concepção de satisfação estava no pouco que haviam experimentado do mundo, já que aquilo que suas mentes e corpos ainda não tinha sequer sonhado não poderia fazer parte de sua rotina, nem ser almejado. Esses homens contentavam-se apenas em ficar sentados observando as sombras produzidas pela luz externa -modificando um pouco a questão-, tendo as outras pessoas, que passavam do lado de fora da gruta, como meras sombras que produziam sons específicos, assim como as aves, mas tudo não passava da silhueta de indivíduos vagando no mundo exterior e isso já bastava para os cativos. Porém um dia, um entre os inertes resolveu levantar-se e procurar pela fonte da luz e das sombras, então retirou-se da caverna e, perplexo, deparou-se com uma vastidão assombrosa de terras verdejantes e cheias de vida, por isso voltou à caverna para chamar os demais que, duvidando, no comodismo, preferiram não ir ver para crer e permaneceram aprisionados.
O Mito da Caverna é definitivamente riquíssimo e dele quero extrair uma série de ensinamentos. Primeiramente é um erro pensar que os seres aprisionados não sentiam necessidade de nada daquilo que havia fora da caverna porque não o conheciam, como seres humanos, criados para um mundo diferente e com propósitos, no mínimo sentiam um aperto estranho no peito, uma necessidade inexplicável de algo que não sabiam o que era, um vazio, a urgência por água fresca e frutos suculentos, a brisa no rosto, o morno raio solar e sua luz reconfortante, a apreciação da verde natureza e do céu azul rajado de branco, o homem precisa disso, o homem depende disso! E isso está tão inserido em nós, que fomos projetados para viver nesse mundo, que nascemos com tais tendências e anseios, é algo que vêm em nossa genética, nosso ímpeto por sobreviver e, além de sobreviver, usufruir das belezas e sabores dos bosques, pradarias, montanhas e vales, por isso afirmo que também em nossa alma estão inseridas tais questões, que fogem da mera luta instintiva pela vida. Se o homem sente natural necessidade de algo, por mais que nunca o tenha visto, provavelmente ele existe e se no homem existe um sentimento, uma vontade, um anseio que nada nesse mundo consiga suprir com excelência, então algo externo à matéria visível e palpável deve existir, pois o vazio, a necessidade daquilo que não vemos, mas sentimos, demonstra o fato de termos sido projetados genética e espiritualmente para tal. O homem não saiu da caverna por curiosidade, apenas, pois se estivesse totalmente suprido nela, não iria procurar nada além daquilo que já conhecia, mas reconhecendo a necessidade de algo que desconhecia, saiu a procurá-lo. A busca por Deus, ou por alguma outra suposta divindade celestial, é tão antiga quanto o próprio ser humano, resumindo-se nalgo natural e tipico do homem, que simplesmente existe inato em nós, independendo de explicação ou vontade, sendo um anseio real e profundamente vital, ao contrário do recente e crescente ateísmo, que evidencia-se como contrário a nossa natureza pelo fato de carecer de inúmeras evidências e argumentos para, parcialmente, validar-se e, ainda assim, todo o ateu, pelo desespero demonstrado em seus argumentos parciais, tendenciosos, fracos e apelativos, deixa claro que, no fundo, não crê realmente que Deus não existe, mas luta continuamente contra seus genes físicos e espirituais, de modo nitidamente doloroso, afim de não ter que se curvar aO Senhor do Universo. O ateísmo é muito mais uma postura particular, resultante de conflitos de indivíduos descontentes com O Pai, do que uma ciência inescapável.
A questão é: nada surge do Nada, nenhum efeito está desprendido de uma causa, mas tudo o que existe é reflexo da existência de algo que possa englobá-lo. Sendo assim, se o homem sente necessidade de crer em Deus, sendo o efeito de uma causa, logo, é impossível que Deus não exista, pois, se não o fosse, de onde viria tal anseio por Ele? A própria luta contra Deus, desenvolvida por rebeldes insubmissos, é evidência de que Ele existe, pois não se luta contra o "nada" - se Ele não existisse, seria fácil demais comprová-lo. Nós nos sentimos incomodados ou reconfortados com algo existente, não inexistente. Nada pode vir do Nada, logo, tudo só pode vir do Tudo, não existe novidade no Eterno, que eternamente é o que sempre foi simplesmente por sê-lo eternamente assim, portanto a necessidade que temos de crer em Deus não é produto do acaso, do Nada, mas sim do Tudo e esse Tudo é o próprio Deus, a causa do efeito, a causa do anseio que temos por Ele. Se fôssemos fruto do acaso, não haveria nada, absolutamente nada que direcionaria à Deus, pois Ele não existiria para que houvesse algo do tipo, mas como isso existe, parece-me plausível crer que Ele também existe. Pense no mundo em que vivemos como sendo a caverna do mito: vivemos nele e só conhecemos o que há nele, mas há algo fora disso, algo além, causador de nossa insatisfação em relação ao que é visível e palpável, algo que nada feito de matéria é capaz de aniquilar e como resposta ao fato de estarmos incompletos uns decidem olhar para o que há fora da "caverna", enquanto outros preferem ignorar e, sofrendo, permanecerem inertes. A única alternativa, a única resposta para aquilo que sentimos, mas não conseguimos explicar ou suprir com nada do que existe na humanidade ou no mundo natural, está fora dessas esferas, só pode estar, sendo a causa do efeito, o tudo do Tudo.
Isso é apenas raciocínio teórico? O teste fundamental para ver se algo de fato existe e é efetivo está no experimento e comprovação daqueles que se dispõem a fazê-lo. O primeiro ponto de comprovação está na universal verdade de que todos os seres humanos sentem que algo lhes falta, na verdade universal de que a humanidade precisa se curvar a algum deus, isso é inquestionável e você nunca encontrará alguém, ateu ou não, que não viva sem nenhum dogma, nenhuma crença miraculosa e de qualidade sobrenatural. O homem, sendo também espírito, não pode abrir mão de sua vital ligação com o espiritual externo, faz parte de sua natureza. O segundo ponto de comprovação está mais voltado à fé cristã: bilhões de pessoas reconhecem que o ser humano padece de um problema a ser resolvido e quase todas afirmam com veemência que o dito "vazio" e a tristeza que ele produz resolveram-se com o ato de entrega à Cristo - eu vejo centenas de milhões de cristãos, que encontraram verdadeira alegria em Jesus, servindo-O em países que os perseguem violentamente, eu vejo muçulmanos, hindus, ateus... se convertendo ao Rei dos reis, mas pouco do oposto vejo e, quando tal oposto ocorre, a culpa não está na fraqueza da fé nO Filho, mas no mau exemplo de pais que seguem Cristo como uma religião qualquer ou que O desonram em demasia, no mau testemunho de cristãos fanáticos, legalistas ou libertinos, que não se entregaram realmente a Jesus, não mudando de vida e, por conseqüência, criando repulsa a outros cristãos, que desistem da fé, ou a não cristãos, que preferem evitá-la, outros ainda desistem de continuar ou se integrar por terem asco de algumas tradições extra-bíblicas da Igreja, que mais parecem mitologia, ou por causa da estúpida fé cega e infundada de muitos, que bradam aos quatro ventos que "ciência e fé não se ligam", que "só se pode crer em Deus pela fé, não havendo argumentos científicos"... o que faz sermos tachados como ignorantes e, portanto, um atraso para o desenvolvimento do conhecimento. Se você ler algumas postagens de meu blog perceberá o quão frágeis são essas posições - "A Máquina do Tempo", "A História do Mundo", "Sucessão religiosa", "Ilusão", "Espantosas letras" e "A Menor Religião do Mundo".
O Mito da Caverna também deixa aval para falarmos da diferença científica mais evidente entre cristianismo e ceticismo: as Origens. A fé cristã pode coexistir com a Teoria da Evolução e nenhum de seus argumentos invalidam a ação de Deus como Criador da vida e programador de seu desenvolvimento, da mesma forma ela pode coexistir com o Big Bang, pois o "nada" de onde veio "tudo" pode, muito bem, ser O Tudo, que é Deus -já que nada pode vir do Nada. A diferença não está propriamente nas evidências, pois as evidências de que o Big Bang aconteceu só provam que, de fato, ele aconteceu e nada mais, pois isso não exclui Deus e, da mesma forma, as evidências da Evolução - muito mais fracas e míticas - não tem outro potencial senão de comprová-la - ou, pela falta, reprová-la -, mas Deus prossegue inatingível, a diferença fundamental entre ceticismo e cristianismo está nos domínios da filosofia, do raciocínio quanto ao que não podemos realmente estudar, mas que, com base em conceitos matemáticos das ciências da física e química, conseguimos, pelo menos, fundamentar. Digo "entre ceticismo e cristianismo", pois das religiões existentes, a mais científica, a mais viável, é a cristã, originada no judaísmo, cujo argumento monoteísta revolucionário - pois emergiu há um punhado de milênios num universo politeísta insano - compreende a mais sóbria visão espiritual de origem do universo e vida e sua manutenção - se você quer discutir seriamente e honestamente as Origens com base numa religião, não poderá fugir do monoteísmo da forma como a Bíblia o apresenta - "Inescapável" e "Inegável". A questão é a seguinte: diante das "sombras dentro da caverna" o ceticismo procura uma explicação dentro da esfera visível e palpável e o cristianismo reconhece que a origem das "sombras" é externa, está fora de nossos domínios, em resumo: os céticos procuram explicar que as sombras simplesmente, de alguma forma, brotaram das paredes rochosas do recinto, originando-se casualmente e de modo a apresentarem figuras coerentes, enquanto os cristãos alegam que as sombras, na verdade, são o reflexo de uma existência externa, a "ponta do iceberg", o ponto visível de algo que principia no universo do inteligível. Não te parece coerente meu raciocínio? Mas é exatamente o que vemos nas visões de ambos os lados acerca do Big Bang: os descrentes afirmam que o "tudo" simplesmente brotou do Nada, não sendo reflexo doutra coisa senão de si mesmo, vindo a existir do vazio absoluto sem causa ou genitor, enquanto os crentes só conseguem ver antes do "tudo" surgir, O Tudo como eterno causador, sendo o universo visível apenas o reflexo da existência do universo invisível.
Observação: desde a origem do Universo a quantidade de matéria, vinda de Deus, é a mesma, tornando-se aos poucos inutilizável pelo decaimento da energia, ou seja: a quantidade não muda, o que muda é a sua organização, complexidade e as combinações entre as substâncias.
A questão aqui nem precisa entrar nos méritos da complexidade do universo que nos cerca, produto nítido de uma mente criadora, pois só o fato de algo existir, qualquer coisa que seja, por mais simples pareça, já é evidência de sobra para a existência de Deus. Pense comigo: o vazio absoluto é igual a nada, algo infinitamente inerte, morto, desprovido de toda a existência, enquanto a existência de uma única partícula de matéria ou energia representa preenchimento, acompanhado do espaço e tempo, logo, uma diferença infinita: do infinitamente vazio à existência, que trata-se de uma quebra, o preenchimento desse infinito. A minha conclusão, portanto, é que a origem de qualquer coisa do vazio absoluto aponta para um avanço infinito, uma evolução sem medida, um imensurável aumento de complexidade, cujo nível de dificuldade de ter vindo a existir sem causa é inconcebível. A exigência de Deus para a origem de uma mísera partícula de energia ou de um computador completo à partir do Nada é a mesma, está no mesmo nível, pois ambos indicam um salto infinito de complexidade. A existência de qualquer coisa já me é prova suficiente de que Deus existe e isso fica muito claro quanto entendemos que nosso universo está inteiramente imerso nesse jogo de reflexos: tudo o que existe é resultado, reflexo, doutra existência. A sombra de um homem é reflexo, indica descaradamente a existência de tal homem e, por sua vez, a existência desse homem é reflexo do alimento que ingere, a repôr seus tecidos e abastecê-lo de energia, também da existência de pais biológicos e, por fim, da existência de Deus, pois os pais desse homem vieram de outros pais humanos e assim por diante, chegando no ponto longínquo em que o patriarca e a matriarca da humanidade inteira surgiram e é aqui que, mais uma vez, dividem-se o ceticismo e o cristianismo: o lado descrente afirma que o homem é reflexo do animal inferior e o lado crente afirma que o homem é reflexo direto do divino Criador. Novamente o Mito da Caverna nos faz refletir.
Me responda uma pergunta: da sombra surge o homem ou do homem surge a sombra? Seria um absurdo sugerir que o homem é produto da sombra, não é? Isso é óbvio, logicamente a sombra não tem potencial algum em complexidade para originar o homem, que é imensuravelmente maior, em constituição, do que ela, muito mais viável, pela lógica, observação e experiência é afirmar que o mais complexo é o causador do menos complexo, portanto é loucura sugerir o oposto. Nada surge do Nada, como já disse, e isso se enquadra nesse raciocínio: o aumento da complexidade numa evolução de seres exige o surgimento de coisas novas, de coisas novas do Nada, pois não há nível de complexidade, matéria ou energia disponível para proporcioná-lo - lembremos que a tendência dos seres, constituídos fundamentalmente de energia, é que ela decaia, regrida com o tempo, resultando em diminuição de complexidade, não acréscimo, o que é óbvio, pois se a energia aumentasse, de onde ela estaria vindo? Do Nada?! O "Nada" nem ao menos pode existir, levando em conta que onde não há nada, também não há tempo, pois ele só se desenvolve onde há matéria e energia a movimentar-se e, tampouco espaço, pois o espaço só pode ser compreendido quando há algo ocupando-o, ou melhor, produzindo-o, preenchendo-o, portanto sem matéria, tempo ou espaço não há existência para que algo venha a... existir! A idéia da Lei da Causa e Efeito se fundamenta nisso: o originador de algo não pode ser menor do que aquilo que originou, pois isso exige novidade, acréscimo de complexidade, coisa que ele não tem condições de fornecer, portanto a conseqüência é sempre menor do que seu causador, da mesma forma que é a sombra que vêm do homem e não o homem que vêm da sombra. Pense: vida + vida = vida; vida - vida = morte; a vida é mais complexa do que a morte, por isso independe dela para ser vida, está acima dela e vem antes dela, mas a morte, por outro lado, é o decréscimo da vida, logo, vem como conseqüência da vida, não causadora, a morte não tem vida para oferecer, mas a vida tem morte a oferecer quando subtraímos dela a virtude, logo, a vida não pode vir da morte, mas a morte pode vir da vida, portanto, existindo vida hoje no Universo, sua origem não pode ser casual e da matéria bruta, sem vida, somente pode ser resultado doutra vida, anterior e superior em virtude e constituição, pois o decréscimo dessa vida, como causa do efeito, resultou em vida, não em morte, logo, tal fonte de vida, superior a vida que nos cerca, por ser sua causadora, pode, muito bem, ser de vitalidade eterna e, como causadora da matéria viva, ser constituída de algo maior do que a matéria palpável, o que me faz concluir que tudo se trata do Deus Eterno.
Essa é a questão: o 50 não pode fornecer 100, mas o 100 pode fornecer 50, pois só o que existe pode promover existência. Se no 50 não existe 100, no máximo 50, então não se pode subtrair o 100, para tal a metade que falta deveria surgir, vir à existir, à partir da inexistência, o que, como vimos, é um absurdo. Digamos que os animais inumanos sejam, em complexidade, em constituição, 50% daquilo que nós, humanos, somos. Sabemos que além da complexidade do corpo que temos, há aspectos em nós que são exclusivos, não tendo nenhuma fonte observável e provável o mundo animal, portanto, esperar que esses aspectos exclusivos tenham surgido causalmente em nós, tenham nos sido dados como milagres, sem nenhuma fonte, advindos do nada, trata-se de novidade e o eterno não combina com novidade, além de a novidade exigir um acréscimo daquilo que não existe dentro do que existe, mas se não existe, de onde poderia vir a existir? O tudo só pode vir do Tudo. O homem ser a "sombra" de um primata inferior, como conclusão, é possibilidade insana, pois exigiria novidade, aumento de complexidade... até porque parece insano dizer que o homem é apenas "sombra" de um chimpanzé, já que a única coisa que se observa é que sombras e reflexos sempre são inferiores aos seus emanadores. A luz não é maior do que o Sol! Com isso não quero dizer que o homem é a criatura primeira e que todos os seres seguintes vieram dele, mas dizer que o homem só pode ter vindo a existir de algo maior do que ele, coisa que não encontramos em parte alguma do Universo, a não ser que acreditemos em  Deus, e O Criador, sendo o 100%, poderia originar tanto o homem, 99%, quando a ameba que habita a poça d'água, 0,5%, pois do 100% podemos subtrair tanto o 99%, quanto o 0,5% - e a ciência cética ainda insiste que, no princípio, a matéria bruta, 0%, deu origem a um ser unicelular vivo, 0,5% e desse ser, ao longo de bilhões de anos, veio o 99%, que é o homem, lógica insana, pois do 0 não se pode tirar o 99, da sequidão total não se pode tirar água, do fogo não se pode tirar gelo, das trevas absolutas não se pode tirar luz, do vazio absoluto não se pode tirar o espaço e da inexistência não se pode tirar a existência, mas podemos tornar um charco tórrido como um deserto, subtraindo a água, o fogo em gelo, apagando-o completamente e retirando todo o seu calor, a luz em trevas, bloqueando todas as suas entradas, o espaço em vazio absoluto, retirando-lhe toda a matéria, e a existência em inexistência, ao aniquilarmos aquilo que existe. É por isso que digo e repito: somente o Tudo pôde possibilitar a existência de tudo.
Imagine agora que a Caverna é a sua mente: todo o conhecimento que você possui do mundo que te cerca já estava em sua mente quando você nasceu ou teve que ser obtido? Obviamente obtido! Obtido de onde? Não de você mesmo, logicamente, pois se não existia em você, não poderia vir de você, caso contrário existiria e você o conheceria sem ter que absorvê-lo. De onde então? De fora, do ambiente externo, do desenvolvimento do universo das cercanias, refletindo para dentro de tua mente uma série de informações, que você absorveu como uma esponja absorve água - e a água não pode absorver a esponja. O que originalmente não existia em tua mente, mas hoje existe, só pode ter vindo de fora dela, não do nada e de dentro dela, pois nada vem do Nada! Logo, o que tu conhece é reflexo do que te foi apresentado. Agora me responda: o teu conhecimento do Universo é maior do que o Universo? Obviamente não, pois o que sabemos sobre algo não pode ser maior do que ele, portanto a idéia de que o reflexo é sempre menor do que o objeto que reflete se consolida e, por fim, o tudo não pode vir de algo menor, que é o Nada, nem a vida da morte, nem o homem dos animais inferiores, pelo contrário, o tudo só pode vir do Tudo -maior do que ele-, a vida da Vida -maior do que ela- e o homem dO Criador -maior do que ele. O mais interessante desse raciocínio todo é que ele me leva a concluir que tudo o que existe hoje, não podendo haver novidade no eterno ou o surgimento de coisas novas do Nada, veio de um ambiente externo, ou seja, o Universo em toda a sua plenitude, não pode ter vindo a existir do Nada ou de si mesmo, pois se viesse a existir à partir de si mesmo, sendo o seu próprio tudo, na verdade não teria vindo a existir, já que já estaria existindo plenamente em si. O que posso concluir disso tudo é que, assim como a menor partícula de energia não pode ter vindo a existir do nada, pois esse seria um salto infinitamente grande à partir do vazio absoluto, tudo o que existe no Universo veio de um ambiente externo à ele, de algo fora dele, além dele, acima dele, nada, absolutamente nada, dele para ele mesmo. O Universo então passa a ser a Caverna e as "sombras" dentro dela, reflexo do que está fora dele. Somente Deus pode ser o originador externo do Universo que vemos!!!
O ponto final de minha análise repetirá alguns argumentos do que já fora dito, mas é igualmente válido: as sombras dentro da caverna de Platão são evidencias do que? De que existe algo além da caverna, fora dela, ao redor dela, algo maior do que ela, englobando-a. Já disse que a existência da mais simples partícula já é uma sombra de Deus, um reflexo de Sua existência, mas há "sombras" mais gritantes a evidenciar a existência dO Criador e é aqui que falarei sobre a complexidade do Universo. Um dos trunfos da ciência cética contra Deus é o fato de não podermos observar e experimentar em prol de Sua existência, logo, Ele não pode ser comprovado, argumento fraquíssimo, ao levarmos em conta que O Criador é maior do que a Sua criação, portanto, não podemos encontrá-Lo diretamente através do produto criado - Ele está além disso, o criador da matéria é constituído de algo que está acima dessa matéria -, é como tentarmos desvendar a anatomia de um engenheiro estudando apenas o engenho que ele construiu. Ora, isso é impossível, mas pelo menos podemos ter certeza de que o engenheiro existe, porque a sua obra é complexa demais para ter vindo à existência por conta e porque, num canto ou outro do maquinário existem marcas de suas impressões digitais, que são a sombra, a evidência indireta que ele existe. O mesmo é para com Deus! As sombras de Seu trabalho são evidências indiretas de Sua existência, o que já O faz inescapável.
Vou citar apenas dois exemplos do corpo humano para te evidenciar esse fato: a retina de cada olho humano possui algo entorno de 10 milhões de células sensíveis à luz, sendo cada uma delas mais complexa do que o mais avançado de nossos computadores, resolvendo, em conjunto, 10 bilhões de cálculos por segundo; o cérebro humano possui aproximadamente 10 bilhões de células nervosas e cada uma delas pode possuir entre 10 e 100 mil fibras de conexão com outras, tornando possível a existência de mil trilhões de conexões em um único cérebro humano, o mais surpreendente é que tais conexões se organizam de modo coeso e efetivo, como resultado de planejamento. Se você, ao ver uma palavra de três letras escrita no chão não é capaz de crer que aquilo tenha vindo do acaso, mas logo constata a existência do "escritor", pois o produto do intelecto exige um intelecto superior -"Causa e Efeito"-, então como pode crer que uma máquina tão misteriosa e surpreendente quanto o ser humano poderia ter vindo do acaso?! A nossa existência é uma nítida sombra da existência de Deus, nós somos as Suas inegáveis impressões digitais!! Isso que nem falamos da complexidade do Universo - "Geocentrismo".
Pense: se o ser máximo da natureza não pode ter vindo de ninguém menos do que o próprio Deus, por que o cristianismo, a religião mais profunda, complexa, sóbria e realista, não seria também a religião correta, como produto direto da mente desse mesmo Criador?! E aqui eu uso do Mito da Caverna para argumentar também em prol da confiabilidade divina da fé cristã. Leia: "Impossível", "O Perfeito", "Encontro inesperado", "Pandemia" e "Está em oculto".

Para não me delongar mais, irei concluir a postagem. Espero que esse raciocínio puramente filosófico tenha mexido contigo e te feito repensar conceitos. Lembre-se de que você tem duas escolhas: limitar-se à "caverna" ou, reconhecendo que as "sombras" indicam que existe algo mais, procurar Aquele que existe fora dela! No final das contas, o mais importante disso tudo está nas primeiras reflexões desse artigo: perceba em ti o real anseio por Deus e se renda diante dEle!! Ele existe, Ele é real e Ele não quer que você mesmo, negando-O, julgue-se a uma eternidade longe dEle, o que certamente será um inferno... no Inferno!
Natanael Castoldi

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